Sobre a dor do parto normal

Se tem uma pergunta que escuto muito é :
– Mas parir, dói?

Minhas respostas variam muito em palavras, mas sempre enfatizo: -Sim, dói.
Pois nascer dói, e vamos ser sinceras, dói de qualquer jeito, se for normal ou se for através de uma cesárea. Dói pois temos que quebrar a casca e brotar. Se a planta não quebra a casquinha, ela nunca vira uma árvore.

A dor da cesárea pode ser sentida por conta de ser uma cirurgia de grande porte, muito invasiva, onde, vamos la:
“Após a anestesia é feita uma incisão. A incisão é horizontal e atinge três planos: a pele, a tela subcutânea, que é a camada de gordura e a fáscia do músculo reto abdominal, que é uma membrana que reveste o músculo. Em seguida, o cirurgia altera a posição de incisão e faz um corte e divulsiona (afasta), os músculos reto abdominal, em sua porção central, local conhecido como linha alba, que é uma fusão de tendões, pouco irrigado, que não sangra, porem que apresenta cicatrização demorada. Vencendo este plano, o cirurgia corta também o peritônio, que reveste os órgão abdominais e visualiza o útero, que é aberto e o bebê, bem como a placenta são removidos.”
O pós operatório é todo sentido, pois a tal “cesárea que não dói” é por você estar cheio de anestesia, mas a anestesia passa. E remédios comuns para a dor são fraquinhos comparados a dor do corte. Até tossir dói.

A dor do parto normal é por conta das contrações, da movimentação pelvica para a descida do bebê e depois pela passagem dele pelo canal vaginal. E depois que nasce, pluft, acabou!

Mas vamos lá, disso, a maioria já sabe. certo?

O que ninguém fala é que o que dói mesmo é o desrespeito pela mulher em trabalho de parto. É a falta de profissionalismo de muito profissionais que trabalham em hospitais. É a indiferença no olhar. É a frieza do centro obstétrico, que se caracteriza não só pelo ar condicionado, mas principalmente pela maneira como tratam esta mulher. Não estendem a mão sequer para ela poder ir para a maca, imaginem para acolher. Forçam a mulher a ficar numa posição desconfortável por horas a fio, e se ela reclamar, vem uma ameaça logo em seguida. E ameaças não faltam. Ameaças disfarçadas de procedimentos necessários e de sabedoria. Ameaças disfarçadas de profissionalismo:
“Olha, você não está fazendo a força certa, vai querer ficar nessa posição até que horas? Você só vai sair daí quando este bebê nascer, então é melhor começar a colaborar”
“Já não pedi para você segurar no lugar certo? É ali, naquele ganchinho de metal. Você realmente não quer ajudar, ninguém aqui vai parir por você, viu, você está sozinha nessa”
“Vai ficar gritando? Vai sair com a garganta toda doida e não vai conseguir fazer esse bebê nascer”
“Ta tremendo porque?”
“Com esse show todo que você ta dando, agora vai me pedir uma cesárea? Não acredito que você fez tudo isso por nada. Tem até doula e vai pedir uma cesárea. Olha, é pacabá. Bom, é isso que você quer (parturiente chorando e implorando por uma cesárea, com bebê quase coroando)? Então vamos lá, real indicação de cesárea, a paciente pediu.”

Isso é dor. Isso é sofrimento. Isso se chama violência. E isso aconteceu esta semana, em Rio Preto, eu estava de doula. E deve ter acontecido hoje, e vai acontecer amanhã.


Ninguém merece passar por isso. Ninguém. Nem estes mesmos profissionais insensíveis que falaram e fizeram tudo isso.
Que um parto dói, disso ninguém duvida, mas quando é um parto com respeito, com amor e acolhimento a dor ganha um novo significado, ela faz parte de um processo necessário e consciente dessa mulher.
Quando a mulher passa por isso que descrevi acima a dor também ganha um novo patamar, onde a mulher sente como se tivesse sido abusada, com todos olhando, e por várias pessoas. Onde seu corpo é falho. Onde sua voz é abafada e inútil. Onde qualquer esforço é inútil.
A dor vira trauma. Vira sofrimento. Vira pesadelo.
Aqui um documentário que, apesar do áudio, é maravilhoso:

E sabem como foi o desfecho?
Ela saiu da posição, foi para a maca, se agarrou nas grades e em dois puxos o bebê nasceu, na maca, indo para a cesárea. Sim. E sabem porque? Porque ela só precisava sair da posição em que estava, ela estava com câimbras nas pernas.
Pois ela sabe parir. Sabe fazer a força certa. Sabe respirar. Sabe que dói, mas não para parir, o que dói é ser tratada como lixo.

Não me cansarei de lutar, como mulher, como doula, como mãe. Não me cansarei de repetir: “busquem uma equipe humanizada”, não fiquem a mercê, não contem com a sorte, não percam seus partos! Pois a sorte é rara na grande maioria dos hospitais do Brasil, e em Rio Preto ainda tem muito, mas muito chão pela frente.

Aqui um projeto lindíssimo sobre o assunto:

“Uma em cada quatro mulheres brasileiras que deram a luz em hospitais públicos ou privados relatam algum tipo de agressão durante o parto”. É o que aponta a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado, feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC, em 2011.

1:4 é um projeto fotográfico que busca materializar as marcas invisíveis deixadas por esse tipo de violência e traz à luz uma reflexão sobre a condição do nascimento no Brasil e as intervenções desnecessárias que ocorrem no momento do parto.

No momento, a produção de fotos para o Projeto está pausada.

Para ver outras imagens produzidas, visite a página do Projeto 1:4 no Facebook, que atualmente é o principal canal de comunicação utilizado pelo Projeto :www.facebook.com/projeto1em4. ”

A chegada de Benjamin

Relato de nascimento de Benjamin, gentilmente cedido ao blog pela Aline Cavasana:

“Benjamin veio por acaso, não planejamos sua vinda, mas foi o que Deus poderia ter feito de mais maravilhoso nas nossas vidas.
Num dos primeiros encontros com meu marido Anderson, ele me perguntou: “Qual o seu sonho?” E eu respondi: “Meu sonho é ser Mãe, e ter a minha família”. Pensei até que ele se assustaria por estarmos no começo, mas para minha surpresa ele não se assustou, ele me disse que o sonho dele também era ser pai e ter a família dele.
Na noite de 25 para 26 de abril tivemos nossa primeira relação com coito e eu senti já naquele momento mágico, a maternidade em mim.
Cheguei a perguntar se ele queria que eu tomasse a tal pílula do dia seguinte, e ele disse que não, que essas coisas quando são pra acontecer, que simplesmente acontecem e que se fizesse a vontade de Deus. Dois dias depois contei para uma amiga (a Su) que eu tinha certeza que já me sentia mãe desde aquela noite.
Aguardei 20 dias para fazer o exame de sangue para a confirmação. E em 15 de Maio tive a comprovação de que estava grávida pelo exame.
Chorei e sentia medo, pois eu achava que ele se assustaria de inicio com a notícia, e quando contei que estava grávida, seus olhos simplesmente brilharam e me iluminaram. Ele disse que esse foi o melhor presente que eu poderia dar pra ele. E que ele tinha pedido um sinal pra Deus, pra saber se estávamos no caminho certo e se eu realmente era a pessoa certa, e que essa notícia foi a comprovação de tudo que havia pedido a Deus.

11174787_815669665194307_4642000009154619629_n
Alguns dias depois ele me levou para conhecer uma Doula Dani, que me acompanharia no parto e semanalmente depois dos três meses.
Até então, eu mal sabia o que era uma Doula e tinha a crença que teria que fazer uma cesárea de qualquer maneira, por conta de um acidente de moto em 13/08/2010.
Sair viva desse acidente foi praticamente um milagre. Tive fraturas nas costelas com perfuração do pulmão e fraturas nos ossos da bacia do lado direito, o ísquio, ilíaco e púbis, e o acetábulo foi destruído e teve que ser reconstruído com uma placa, sete parafusos e um araminho amarrando os parafusos do meio. Minha cirurgia foi um sucesso e minha recuperação foi muito mais rápida do que os médicos imaginavam.
Logo depois da cirurgia todos os ortopedistas e especialistas me disseram que eu jamais poderia ter um parto normal. Eles também me disseram que eu não conseguiria cruzar uma perna sobre a outra (como se fosse amarrar um tênis). E que eu teria muitas limitações. Limitações eu tenho sim, mas não na proporção de que foi me dito. E nem dá pra notar. Amarrar meus sapatos e cruzar a perna eu consigo sim! \o/. Então porque não conseguiria um parto normal?!
Então, quando estava no meu sexto mês “descobri” que poderia sim ter um parto normal pelo Beabá Bebê (curso ministrado pela Unimed na cidade).
Com a ajuda de minha Doula Dani fui me aprofundando no assunto de parir e o primeiro passo foi trocar o medico GO, o que pra mim não foi tão fácil assim, pois meu primeiro Ginecologista (GO) era o Dr Ralph, eu nasci com ele, e sempre disse que quando eu engravidasse seria com ele que eu teria meu filho. Eu até o chamava de “tio Ralph”, porque ele cuidou de mim desde muito pequena (necessitei ser paciente muito cedo e por um motivo mais que especial pra ele. Sofri um abuso sexual com 5 aninhos, e desde então criei um vínculo afetivo com ele por cuidar com carinho de mim).
Ele é um ótimo profissional e eu amo ele de paixão, mas não tinha jeito, pois ele é cesarista e quando disse pra ele que eu queria ter parto normal, ele veio com o “SE”, “se estiver tudo bem a gente faz”, “você tem que saber que terá que ser atendida pelo plantonista se continuar com essa decisão Aline”. Então resolvi mudar mesmo de Médico.
No início gostei muito do meu segundo médico, também é um ótimo profissional. Mas depois de uma forte gripe, mandei mensagens por mais de um dia para ele, e não tive um retorno. Tive que ir para emergência do hospital que havia escolhido para o parto, onde também não tive atendimento do plantonista, fiquei duas horas e meia aguardando algum plantonista, e não apareceu ninguém.
Necessitei ir para a emergência de outro hospital, onde fui muito bem atendida, mas o detalhe é que esse outro hospital é totalmente cesarista, e em hipótese alguma eu queria parir lá.
Depois desses acontecimentos com médico e hospital fiquei muito insegura que até parecia uma paranóia, eu me senti muito desprotegida e desamparada.
Perdi a confiança no hospital, no médico e fiquei perdida com meus pensamentos e inseguranças.
Então comecei a mexer na internet, fuçava em tudo quanto é canto e achei uma comunidade: GAIA Rio Preto. Fiz algumas perguntas inbox para essa comunidade que carinhosamente foram respondidas pela Nath Gingold e que me indicou também o grupo fechado Gaia, onde solicitei participar e fui calorosamente recebida.
Por intermédio da Nath, conheci a minha parteira Lucélia, que inclusive já tinha ouvido falar dela pela minha Doula Dani, e por intermédio da Lucélia troquei pela terceira vez de GO (o Dr Paulo, e me apaixonei pelo ser iluminado que está por trás desse novo médico).
A segurança voltava a reinar no meu coração, mas ainda sim continuei com birra de hospital (eu não queria ir pra hospital de jeito nenhum) e após assistir o filme Renascimento do Parto fiquei encantada em querer parir em casa. Perguntei para o Médico se estava tudo bem, e se podíamos ter um parto domiciliar. Ele disse que sim então decidimos que meu parto seria domiciliar.
Após dar a noticia a nossa Doula Dani, nos disse que não acompanhava partos domiciliares então a Nath passou a ser nossa Doula oficial.
Esse parto passou a ser o parto dos meus sonhos… E eu também fui passando essa expectativa para meu esposo que também estava sonhando com esse momento que deveria ser natural, e no tempo do Benjamin.
Meus pais e irmãos também me apoiaram e me deram força. Ao contrário da maioria das mulheres que tomam essa decisão, eu não tive problemas em convencer minha família que queria parir em casa. Era tudo perfeito.
Minhas contrações vinham, contrações iam, e nada de Benjamin chegar. Essas contrações eram sem muita dor. E eu achava que não teria dor (Ooô inocência!)
E passaram 40 semanas, 41 semanas e a ansiedade só aumentava. A Lucélia e a Nath passavam em casa muitas vezes para me avaliar e me acalmar também.
Até aí eu já tinha parido muitas coisas… Mas finalmente na madrugada de sábado para domingo dia 25 de janeiro as contrações com dores começaram… Desde então já não dormia mais. Entrei em baixo do chuveiro bem quente pra ver se a dor melhorava, e até ajudava, mas só amenizava a dor enquanto eu estava embaixo do chuveiro, depois a dor voltava.
Entre as contrações até namorei pra ver se ajudava adiantar o processo do trabalho de parto. E ajudou, pois eu perdi o tal do tampão. Mas não foi o suficiente, pois enquanto eu levantava da cama as contrações diminuíam o ritmo.
Pela manhã do Domingo a Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram massagem, ensinaram minha amiga Su a fazer as massagens na hora da dor e foram embora, pois as contrações não estavam no ritmo certo ainda mesmo sendo muito doloridas. E quando eu começava a me acostumar com a dor, a intensidade da dor aumentava. Meus pais e meu irmão João vieram almoçar em casa, e após o almoço minha amiga Su foi deitar comigo no quarto pra eu tentar dormir ou descansar. Ela me ajudou muito com massagens durante as dores, mas já era impossível descansar por um período mais longo.
A minha amiga Su dormiu em casa e me ajudou também na segunda feira dia 26 de janeiro, me massageando durante as dores. As contrações ritmavam, mas saiam do ritmo. E eram sempre uma mais forte que a outra.
Anoiteceu. A Lucélia e a Nath foram pra casa, fizeram um chá pra ajudar no trabalho de parto, massagem nos meus pés pra eu relaxar um pouco. A energia acabou por algumas horas ficamos à luz de velas durante a noite. Ficamos no sofá a madrugada toda, descansando entre uma contração e outra.

11171591_818532551574685_966692189_o
A Su dormiu em casa novamente, mas precisou ir embora pela manhã para trabalhar. Já era 27 de janeiro e pela manhã a Nath tirou cartas de tarô pra mim e me disse que esse parto seria um parto de muita discrição, e um parto muito difícil.
Logo a intensidade das dores aumentou, e sempre aumentavam… Lembro-me que, chorei em algum momento, eu estava agachada e a Nath me abraçou. Em seguida, minha mãe chegou, ainda era cedo, e eu a abracei e chorei igual a uma criança. Foi muito bom vê-la naquele momento que estava sendo muito difícil pra mim.
11181363_818532478241359_188617738_o 11171939_818532534908020_899189246_o 11204761_818532511574689_1428703817_o 11188015_818532504908023_610917405_o
Resolvi então consagrar uma dose de Ayawasca, e pedir pra Deus iluminar esse parto. Além de também diminuir um pouco a dor, dizem que o amargo dela ajudaria no processo do trabalho de parto. Um pouco depois, me deitei com o Anderson e relaxei um pouco. Logo a dor intensa voltou.
Não me lembro muito a ordem das coisas, mas eu tinha vontade de ficar pra sempre no banheiro, a privada era muito confortável, mas doía do mesmo jeito (risos).
A dor intensificou ainda mais, nesse momento eu já achava que estava sem forças.
Decidi consagrar mais uma dose de Ayahuaska. Eu, o Anderson e a Lucélia rezamos e ficamos na sala de meditação por um tempo. As contrações vinham e eu vocalizava a sílaba mística OM em vez de gritar com a dor. Sentimos uma energia muito forte naquele momento, e logo em seguida eu vomitei. Lembro-me que me senti muito fraca e fui para o quarto e a Lucélia foi ouvir os batimentos do bebê. Ela ouviu e ligou para o Dr Paulo ouvir também e os dois chegaram à conclusão de que os batimentos estavam muito fracos. Então ela disse que iríamos para o hospital.
No carro, pelo caminho, os batimentos do bebê, já voltaram ao normal. Acredito que Deus só nos mandou um sinal para que fossemos para o hospital, pois seria necessário.
Lembro que o Anderson estava desesperado e correndo muito com o carro, e eu pedia pra ele ir com calma que estava tudo bem.
Chegando ao hospital fizemos um cardiotoco. Aquela posição para fazer o exame era horrível e doía mais se ficasse deitada, mas eu tinha que fazer.
Naquele momento, vendo aquele hospital e aquela situação eu já achava que eu não iria conseguir. Eu cheguei a dizer pra alguém “Eu sei o que as cartas disseram mostrando que este parto seria difícil. É que eu não vou conseguir, vai ser cesárea. Eu já sei”.
E as dores vinham e eu pedia anestesia pelo amor de Deus. Então fui pra sala de anestesia, mas o abençoado do anestesista não me deixava descer logo que aplicava, eu tinha que ficar lá deitada enquanto a melhor hora da anestesia fazia efeito. Eu conseguia descansar um pouco esses vinte minutos que ficava lá.
Descemos para o quarto, e daí em diante eu não lembro mais a ordem dos acontecimentos. Lembro-me que fiquei muito no chuveiro, e que ficava na posição de quatro na cama, e no sofá que tinha lá.
Umas 19 horas eu pedi outra anestesia pra tentar descansar um pouco, lembro do horário, pois era troca de turno do anestesista e meu médico me levou fugida para o quarto assim que ele foi embora (risos).
Não queria que meus pais entrassem e me vissem gritando naquele estado. Tadinhos eles ficaram do lado de fora na sala de espera do hospital por muitas horas, pois achávamos que seria mais rápido. Mas não foi.
11201281_818532528241354_391783223_o 11194843_818532531574687_536468962_o 11180512_818532668241340_1280495191_o 11078683_818532671574673_284014464_o
Teve um momento em que acredito que tenha sido um dos momentos mais emocionantes desse parto. Onde o Anderson tocava e cantava varias músicas e mantras para mim, então eu resolvi cantar também.
Na verdade eu queria rezar e orar enquanto cantava aquela música. Comecei a cantar a musica “sonda-me usa-me” da Aline Barros, onde naquele momento eu pedia a Deus para usar o meu corpo, o meu templo para aquele parto. Em meio às contrações a letra me faltava e eu só gemia, enquanto isso minha amiga continuava a cantar, depois eu voltava a cantar quando a dor era menos intensa.
Lembro-me que em um desses momentos, não sei se antes ou depois, meu médico estava sentado no chão orando e me dando um passe. Eu achei isso lindo e também me deu forças pra continuar.
A Lucélia fez um toque e aí sem querer a bolsa estourou, a água da bolsa já estava escura, um marrom esverdeado. Isso me preocupou naquele momento, pois sabia que aquilo era mecônio.
Logo pedi outra anestesia, fora as vezes que pedia a cesárea (hehehe), e lembro que o anestesista que estava no novo plantão (muito mais gentil que o anestesista anterior) desceu para aplicar, mas vazou um pouco na hora da aplicação e foi menos da metade do líquido da seringa.
11196594_818532674908006_650649319_o 11171914_818532684908005_557116040_o 11182823_818532561574684_899738274_o
Eu dizia que queria que isso acabasse logo, e o Doutor me perguntou (mais de uma vez) se eu tinha certeza que queria adiantar o processo. E eu disse que sim. Então ele fez “O Toque” e dilatou meu colo.
Sangrou muito, doeu muito, eu estava de quatro na cama e ficava brava com meu esposo, pois não queria que ele visse as minhas “partes” naquela posição, como se ele já não tivesse visto ou não fosse ver (risos).
Então veio a boa notícia, dez de dilatação. E eu pensava que beleza vai nascer, fazia força, muita força. Eu urrava, já não gemia mais.
Fui pro chuveiro, pra piscina, pro chuveiro de novo, Anderson se enfiou em baixo do chuveiro comigo enquanto a Lucélia rezava também.
Voltei pra cama, fiquei de quatro (essa era a posição mais confortável pra mim com as dores já insuportáveis) e fiz mais força. Eles diziam que dava até pra sentir com o toque a bossa do bebê (parte mole da cabecinha dele).
De repente tudo piorou! E eu senti naquele momento a pior dor de todas.
E não era uma contração e nem o bebê saindo, era uma câimbra. Parecia uma distensão muscular na região da virilha.
Essa dor era igual ou maior a dor que eu senti no dia em que quebrei a minha bacia no acidente que sofri. E eu a sentia mais forte durante a contração, ou quando eu tentava fazer força e empurrar.
Então, a partir desse momento, eu não consegui mais fazer força para fora e nem empurrar. Era impossível relaxar para o bebê descer. Eu trancava o períneo involuntariamente e fazia força inversa, para dentro por causa da cãimbra.
Isso aconteceu provavelmente porque fiquei muito tempo sem dormir durante esses dias todos, o corpo ficou cansado demais, a musculatura da região da virilha direita fadigou. Essa é exatamente a região onde eu fiz a cirurgia pelo acidente que disse anteriormente.
Comecei a gritar, e me desesperei. Eu ficava brava com todo mundo. Eu dizia que eles não estavam entendendo o que eu tava falando, que era minha perna, meus pinos que doíam e que eu não ia conseguir mais. Que eu precisava de anestesia.
Subi novamente pra sala de parto, e pedia uma Pele Dural pelo amor de Deus e pedia pra usarem o fórceps que eu não estava aguentando mais.
Eles e as enfermeiras tentaram me acalmar como se elas estivessem sentindo o que eu sentia, como se não fosse para tanto o meu desespero.
E eu ficava irritada, pois ninguém estava sentindo o que eu estava sentindo, a dor de parir juntamente com a dor de uma região acidentada gravemente.
E também ficava triste, como se as enfermeiras me olhassem e me julgassem pensando: “Tá vendo menina, quem mandou querer essa frescura de parto humanizado”.
Logo o médico plantonista chegou. Ele foi muito gentil todo o tempo. Pedia licença para tudo que ia fazer em mim. Ele fez um toque e disse que eu ainda tinha colo. O Meu médico e a minha parteira não acreditando que eu ainda estava com colo, me tocaram novamente, e confirmaram. Já estava em dez a dilatação e faltava só um pouco desse colo posterior dilatar para passar o fórceps, mas desse jeito eles não poderiam usá-lo. A Lu me disse que este colo parecia um papelzinho na cabeça do bebê. E se o puxassem com o fórceps, me machucariam.
Então, eu muito triste, pedi a cesárea!
Meu esposo tentou me convencer a não fazer a cesárea, porque ele não estava na sala hora que disseram que eu ainda tinha colo. E o médico e a Lucélia me diziam que faltava pouco. Mas eu já sabia, desde as cartas de tarô que não seria no jeito que eu queria. Então eu olhei no fundo dos olhos do médico, apertei a mão dele e disse: “Doutor, eu tenho força, e eu poderia conseguir, mas a minha perna não deixa!”
Então fomos para cesárea.
Foi muito difícil dar anestesia em mim, foram três picadas, pois eu tinha contrações e cãibras e meu corpo não parava pra acertar o lugar, e me disseram no outro dia, que a anestesista estava com começo de dengue, coitada.
O médico GO plantonista, super gentil, colocou uma música no celular dele pra eu relaxar mais durante a cirurgia.
Depois que essa bendita anestesia pegou e tudo adormeceu, aquela dor de dias e aquela cãibra passando, foi um alívio.
Ao mesmo tempo, uma tristeza gigantesca entrou em mim. Meu esposo me filmava com o celular e dizia que me amava e eu só sentia tristeza. Não conseguia nem chorar, era uma sensação de impotência, de nadar, nadar e nadar, e morrer na praia.
Em vez de estar emocionada com o nascimento do meu filho que eu tanto sonhei, eu sentia um vazio, sentia um nada ou então me sentia triste.
E ao mesmo tempo eu me culpava por estar me sentindo assim, então me sentia ainda pior por estar me sentindo triste.
Benjamin nasceu à meia noite e cinqüenta minutos do dia 28 de janeiro e veio pros meus braços após cortarem seu cordão umbilical. E eu só sabia lhe pedir perdão em pensamento. Não chorei. Não estava feliz. Mas eu deveria estar, e me culpava por isso.
Ele foi tão carinhoso, não queria soltar sua mãozinha do meu rosto. Quando tentavam afastá-lo de mim ele chorava, e quando voltavam a mãozinha para o meu rosto ele se acalmava.

11181539_818532508241356_1073810813_o 11204836_818532518241355_470048453_o 11180424_818532461574694_1308486726_o 11183117_818527278241879_1785982105_o
Hoje vejo as coisas de maneira diferente do que via naquele momento.
Foi um parto lindo, e eu ainda me culpo um pouco por não ter aproveitado mais aqueles momentos. Culpo-me por estar triste num momento lindo que eu deveria estar feliz. Mas era o meu estado, e eu tinha que passar por aquilo.
Fiquei sabendo depois que o Dr Paulo “raptou” o Benjamin do berçário por alguns minutos e o levou para meus pais, irmão, Su e Nath conhecer. Achei lindo isso.
11179815_818527021575238_45350142_oApós a cirurgia fui para a sala de recuperação. Não consegui dormir a madrugada inteira, sentia frio. E queria ver meu filho. Demorei mais de seis horas para começar a mexer uma das pernas e as enfermeiras não queria me levar para o quarto.
Eu chorava muito. Àquelas horas na sala de recuperação foi um martírio. Não podia fazer nada, não via meu filho, não via meu esposo e os pensamentos eram muitos. A tristeza era muita.
Pela manhã meu esposo me deu um tchauzinho da porta, e eu chorava, eu implorava para elas me levarem para o quarto. Mas elas diziam que eu tinha que mexer as duas pernas para me levar. Ai eu puxava a perna com as mãos e fui exercitando.
Mesmo assim não conseguia mexer totalmente. Então uma enfermeira resolveu me levar antes que trocasse o turno. Na verdade já se passavam das sete da manhã e ela já estava atrasada, acho mesmo que ela sentiu compaixão e resolveu me levar para o quarto.
Não me lembro muito bem a ordem dos acontecimentos no quarto também, mas lembro que foi super difícil passar da maca para a cama.
Não lembro quando o Benjamin chegou, ou se ele já estava lá quando cheguei.
Sei que o começo sempre é difícil pra mamar, mas até que ele pegou bem de início. Durante a madrugada que foi mais difícil a pega das mamadas.
Meu filho era lindo e eu me sentia bem fisicamente. Tava tomando remédio pra dores constantemente e depois que consegui sentar a primeira vez conseguia fazer varias coisas.
Mas aí tive mais uma coisa chata, chamada cefaléia. Eita dor de cabeça do cão viu!!!
Só ficava deitada e fiquei um dia a mais no hospital pra tentar melhorar. Mas ela persistiu por uma semana, inclusive na volta pra casa vomitei no carro, tamanha era a dor.
Meu puerpério foi difícil também por causa dessa cefaléia. E como só ficava deitada, não curtia o meu filho, pois raramente levantava da cama. Fazia tudo deitada. Amamentava, almoçava, jantava.
Minha sogra e minha mãe cuidavam das coisas de casa e ajudavam meu esposo com o bebe. A presença da minha sogra foi muito importante no meu puerpério, pois toda vez que eu chorava ela vinha com palavras amorosas como uma mãe mesmo.
Eu acho que precisei de um mês mais ou menos pra não ficar triste quando dizia às pessoas que não consegui um parto normal.
Mas na verdade hoje eu posso dizer que tive dois partos, um parto normal e uma cesárea. Até meu médico me disse isso em consulta depois do parto. Eu só não o senti passar pelo períneo/vagina. Do resto eu senti tudo.
E que o bebê já tinha engolido um pouco de mecônio, isso quer dizer que ele já tinha feito cocô dentro da bolsa. Um pouco é até normal, mas quando o tiraram da barriga ele fez muito cocô. Portanto eu tomei a decisão certa, pois eu iria precisar de umas duas horas se não tivesse tido as cãibras para conseguir expulsá-lo. E se fossemos esperar essas duas, ele engoliria mais cocô e entraria em sofrimento, correríamos mais riscos e iríamos para uma cesárea de emergência. Cortariam-me de qualquer jeito e provavelmente o bebê precisasse de alguns procedimentos de urgência e não poderia vir para mim como veio.
Hoje, relembrando e vendo as fotos e os vídeos, tenho certeza que era pra ser assim.
Posso até dizer que tive uma cesárea humanizada, pois os médicos foram ótimos e muito gentis, respeitaram minha decisão mesmo vendo que eu decidi no desespero. E até música colocaram durante a cirurgia como disse anteriormente.
Era um sonho de ter um parto normal na piscina ou banheira e ainda ser em casa. E passei esse sonho para meu esposo Anderson e também para minha família. Eu fiquei muito frustrada por bastante tempo.
E vejo que somos só seres humanos imperfeitos e não temos o controle das coisas, só Deus o tem.
Toda mulher foi feita pra parir, tem um corpo para isso, mas existem exceções, e a cesárea está aí pra isso.
Eu precisava parir isso. Esse ego meu. De querer do meu jeito. De querer que fosse lindo, só pra dizer: “olha gente, eu consegui”
Meu orgulho eu pari!”

15352_1052149618134687_8242501211005919741_n 16199_1072107539472228_990413384836361212_n 1780716_779358975492043_4196268152132154766_n 11054276_10206598581669520_1958505306069919264_n
Vídeo do parto:

RELATO DO PARTO DA LAURA – 14 DE OUTUBRO DE 2014

Precisei de 45 horas pra parir a Laura e 6 meses pra parir esse relato.

Não foi nem de perto o que eu planejei pro nascimento da minha filha mas foi exatamente o que eu precisava viver pra crescer espiritualmente.
Primeiro vou me apresentar pra vocês entenderem as mudanças que ocorreram.Tenho 29 anos de vida, e fui criada pro mundo, pra ser forte, não demonstrar sofrimento, medo ou fraqueza. Não fui criada com luxo, mas era (talvez ainda seja um pouco) nariz em pé, desde sempre disse que minha filha não receberia visitas de estranhos nos primeiros dias, não iria pro colo de qualquer um, e decorei a casa de cor de rosa pra chegada da fêmea que estava vindo. Planejei o penteado do parto (domiciliar) e estaria maquiada porque queria fotos lindas. Criei um parto plasticamente perfeito na minha cabeça.
Tenho total aversão a hospitais, morro de medo de cirurgias, então cesárea não seria uma opção. Estava com meu marido a 10 anos e desejamos a gravidez. Me vi gravida com apenas 4 semanas e escolhi no caderninho do convenio uma GO fofíssima pra me assistir e desde o início ela era super a favor do PN.
Quando eu entrei no 5º mês de gestação, veio finalmente o valor para o PN e os poréns, que eram muitos. Fiquei muito abalada e vi meu tão sonhado PN indo por água a baixo. Comecei a pesquisar por relatos até que encontrei o GAIA. Fui a um encontro com meu marido pra conseguir indicação de GOs e saí de lá acolhida e instruída sobre PD e criação com apego. Nesse encontro conheci a Talita, a Nath e a Naiara, que também estava gestando o João. Depois de muito pesquisar chegamos a Lucélia, já com quase 7 meses de gestação, mas nos me encheu de segurança e amadurecemos o PD. Depois de muita procura veio a Amélie com sua doçura e delicadeza. E com a possibilidade de ser doulada, escolhi a Nath, porque desde o primeiro encontro senti seu amor de mãe. Estava com a equipe completa, era só aguardar.
Mas vamos a quem sou eu.
thais e cleriston

No dia 11 de outubro, sábado, fui a um encontro do Gaia, e fiz a pintura de barriga mágica, feita pela Nath, pois segundo meu marido (adivinho rs), a Laura só chegaria depois da mandala.
mandala Thais
E foi assim que aconteceu, lá pelas 3h da manhã, com 39 semanas e 3 dias, comecei a sentir as contrações e avisei a Lucélia os intervalos e duração, estavam durando mais ou menos 50 segundos e vinham a cada 30 minutos (eu acho). A Lu estava de plantão, e resolveu vir pra casa porque tive diversos sonhos em que a Laura nascia no banheiro só eu e ela. A Lu chegou na manhã fez um toque, estava com apenas 1cm e fez um cardiotoco, não me lembro exatamente qual foi o problema mas não tinha oscilação dos batimentos durante as contrações. Fui pro banho e chorei demoradamente, conversei com a Laura contei pra ela que eu estava pronta se ela estivesse e pela primeira vez me permiti ter medo. Durante toda gestação quando cogitava PN me perguntavam se eu não tinha medo, por dentro minha vontade era dizer _tô morrendo de medo gente, medo da dor, medo dos pontos, medo de dar errado_ mostrar que eu era forte, a resposta padrão era _não, PN é melhor pro bebe_ e esse era o mantra. Naquele banho assumi meus medos e frustrações. Quando sai do banho a Lu tinha ligado pra Amélie que ela tinha tirado as cartas pro parto e uma das coisas ditas foi que antes eu deveria me livrar dos medos, e eu tinha acabado de fazer. Refizemos o cardiotoco e os batimentos regularizaram. Ufa! Comecei a me movimentar e perto da hora do almoço a Amélie chegou. A Nath chegou já estava escurecendo e as contrações continuavam com pouca alteração. recebi muito amor muita massagem, muito carinho, mas nada da Laura chegar.
thais e laura  Me desculpem, não sei se pelo cansaço, não me lembro da cronologia exata do que aconteceu, mas me lembro das massagens da Lucélia, da Amélie me fazendo acupuntura, da Nath acendendo incensos e dos escalda pés. Me lembro de me oferecerem comida a todo instante, mas eu só conseguia chupar picolé.
thais e laura
Lembro de tomar muito chá, Lembro de muito amor. Houve um momento em que o sono já estava apertando demais, eu literalmente cochilava dentro da piscina e junto com meu marido choramos, senti minhas forças indo embora, vi as meninas chorando conosco, foi um momento muito intenso. Fomos pro banho, eu e meu marido e choramos juntos, ele me disse que estaria comigo, que sentia muito orgulho da minha força que apoiaria qualquer decisão que eu tomasse, me senti bem melhor, e resolvi aguentar mais um pouco. Acho que os banhos de chuveiro nos davam novo animo. Mas o tempo foi passando.
thais e laura

Fizemos mais um toque, isso já na segunda feira, já passavam de 30h e eu ainda estava com 7cm. Senti que não iria aguentar e lá pelas 19h do dia 13 de outubro me rendi, queria anestesia pra conseguir descansar ao menos um pouco. A Lu ligou pro Paulo Fasanelli (que era meu plano B) mas ele estava em Catanduva de plantão, mesmo assim ele nos mandou ir pro hospital de lá.
Nesse momento eu estava com contrações muito fortes, de 3 minutos de duração e vinham a cada 30 segundos. Dentro do carro as contrações aumentaram e por medo de não conseguir chegar em Catanduva fomos para a Santa Casa. Até aqui meu trabalho de parto foi lindo, com muito respeito, e muito, muito amor.
Agora vem a parte do parto que eu gostaria de esquecer. Chegamos no Hospital, eu a Lucélia e meu marido. Fui atendida por uma plantonista, uma pessoas totalmente desumana e monstruosa. Ela nos falou pra fazer o parto particular porque pelo SUS o anestesista iria demorar demais, pois ele atendia “por ordem de chegada”.
Meu marido foi até a recepção, onde a Lucélia estava, pois não foi permitida a entrada dela na sala de parto, era ela ou meu marido. Não haviam quartos disponíveis para um parto particular, mas como a GO não tinha essa informação e acreditou que o parto seria particular ela já tinha conseguido o anestesista.
Tomei a anestesia e parei de sentir as dores e por alguns minutos fechei meus olhos e descansei. Meu marido voltou, me contou que não haviam quartos disponíveis, que seria tudo pelo SUS, que a Lucélia não poderia estar ali e que ele não poderia ficar no quarto comigo. Como já não havia o que fazer aceitamos.
Pouco tempo depois entra a GO, a aí começa o terror. Ela faz um toque, diz que estou com 10cm mas com um pouco de colo e que vai romper minha bolsa, eu questiono a necessidade do procedimento mas ela já estava com um espeto dentro de mim e estoura minha bolsa, logo depois ela faz um novo toque, afastando meu colo e sai um bocado de sangue, eu ainda atordoada com todo esse procedimento, ouço a enfermeira dizendo que os batimentos da bebe estão bem. Foi então que a GO me olha e diz ” olha, se daqui uma hora não nascer você vai pro centro cirúrgico.” Nesse turbilhão de sentimentos, no meu cansaço eu consegui raciocinar, e tomei a decisão de não bater de frente com o monstro do bisturi e tentei ser o mais politica possível. Disse que iriamos conseguir mas que não queria epísio ou Kristeller. Ela fez cara de poucos amigos e disse apenas que iria tentar. Estava com muito frio, pois o ar condicionado era bem na frente da mesa de parto e eu tremia muito. A cena era a seguinte eu tentando, a cada contração, expulsar meu bebe, com o máximo de força que me era possível, e toda a equipe encostada na parede a minha frente conversando sobre assuntos diversos, me senti humilhada, desassistida, mas empoderada, eu iria parir minha filha, nem que eu tivesse que sair correndo daquela sala.
Foi quando a monstra começou a dizer _se fizesse o Kristeller, já tinha nascido_.
Depois de ela dizer isso repetidamente, apesar de saber de todos os riscos, com medo de ela não nos dar mais tempo, aceitamos a “manobra”.
Meu marido então começou a filmar pois se algo saísse do controle teríamos documentado. A cada contração, era uma força horrorosa aplicada sobre minha barriga, e assim foram algumas vezes, até a Laura finalmente sair, com uma circular de cordão que tão logo estava desenrolado de seu pescoço, já foi cortado. Esfregaram muito a bebe, que não chorou e foi levada, meu marido foi logo atrás e ficamos eu, a GO e um vazio na sala de parto.
Não tive aquele choro tão esperado ao ver meu bebe, não olhei nos seus olhos e me vi, não tive aquela ligação tão desejada. Estava sozinha e vazia. Naquela sala fria, com aquela mulher totalmente alheia ao meu sentimento.
Meu marido retornou e logo me trouxeram a bebe. Não sei se pelo cansaço ou por toda essa frustração mas não me liguei a ela, não senti nada. Hoje avalio isso, mas no momento não consegui sentir nem essa tristeza que hoje sinto ao lembrar disso.
Ela foi levada e o parto acabou, assim, sem amor, sem respeito, sem sentimento.
Eu tive apenas 4 pontos de lacerações leves causadas pela bebe, rapidamente ela deu os pontos, e me lembro de enquanto ela estava saindo, sem olhar pra minha cara, dizer a ela, “obrigada doutora”. Ela apenas deu um sorriso amarelo e saiu. E eu fui pro quarto do SUS.
Aí começa a ultima parte das provações, a parte que me colocou em cheque. Laura estava no berçario. Eu estava num quarto com mais 3 mães e seus respectivos bebes, num calor desumano, e nesse lugar haviam janelas voltadas para um corredor, completamente sem ventilação. Me levantei da cama e fui pro vidro do berçário esperar meu bebê. Vi ela ser esfregada sob uma torneira e gritar a plenos pulmões, senti uma tristeza tão profunda, uma impotência, mas estava firme, pois ela iria precisar de mim. Já passavam mais de 48 horas sem dormir quando Laura foi pro meu peito, e mamou, se deliciou e dormiu no meu colo. Ficamos nós duas aninhadas, naquela sauna, finalmente eu pude ser a mãe dela, pude finalmente me conectar com minha cria. Estava finalmente feliz. Na noite seguinte Laura chorou até as 3 horas da madrugada, eu andava com ela pelos corredores, com ela aos prantos, cantando pra ela, e passava por enfermeiras que não tiveram compaixão por nós. Apenas as 3 horas da madrugada que uma delas resolveu pegar minha filha e fazer algumas massagens, a coitadinha soltou uma massinha de mecônio e muitos puns. Após isso ela dormiu. Ela chorava desde as 10 horas da noite e não havia uma pessoa pra nos acolher. Graças a Deus no dia seguinte fomos liberados e pudemos vir pra casa começar o puerpério.
Pra resumir o que aprendi com esse parto nada perfeito, foi que tudo aconteceu como deveria acontecer. Não tive um parto de revista, no final parecia eu um bicho, exausta; não fiquei confortável numa cama deliciosa, com meu ar condicionado, na minha casa super preparada, estava num alojamento quente e feio; estava cercada de estranhos que eu tanto queria longe da minha cria, fui ajudada por esses estranhos pois eu tinha que ir ao banheiro ou buscar água e eles olhavam minha filha por mim. Mas nada disso foi importante e no final só conseguia pensar na minha cria, no meu bebe indefeso que precisava tanto de mim.

No final eu estava feliz. Feliz porque fui forte e apesar de nada acontecer como planejei, eu conquistei meu PN, eu lutei e pari uma criança linda e saudável, eu tive leite e amamentei assim que ela veio pro meu seio, e tive calma pra acalentar seus primeiros sofrimentos nesse mundo estranho. Cansada mas feliz.
Sempre me perguntam se eu faria novamente, e eu sempre respondo, faria mil vezes, porque eu pari além de uma criança, uma mulher que hoje tem força pra nutrir e cuidar da cria, sem frescuras, sem futilidades e com muito amor!
Obrigada à Lucelia Caires que me acompanhou no meu puerpério, Amélie Lecorné que me deu tanto amor e a Nath Gingold que até hoje me aconselha, como uma mãezona. Obrigada a vocês mulheres que nos dão tanta força. Gratidão!

familiafamilia familia

Sobre o trabalho da doula

“Doula em parto desassistido NÃO PODE
Doula auscultando BCF NÃO PODE
Doula verificando dilatação NÃO PODE
Doula brigando com equipe no hospital NÃO PODE

Doula NÃO PODE fazer nenhum procedimento que seja atribuição específica de outro profissional de saúde (inclusive aparar bebês).

Doula NÃO PODE interferir na conduta médica, os únicos que podem recusar procedimentos são a parturiente e seu acompanhante.

Isso está no Código de Ética da Doula e é ensinado para TODAS as doulas em TODOS os cursos de doulas: http://www.despertardoparto.com.br/doula—o-que-eacute.html

A recomendação do Ministério da Saúde é que a mulher em trabalho de parto ATIVO seja monitorada intermitentemente (de hora em hora) por um profissional da saúde habilitado para isso (médico, enfermeira ou parteira). Então, ficar em casa até o expulsivo para chegar parindo na maternidade é outra coisa que Doula NÃO PODE fazer.

O que a Doula PODE fazer é ficar com a mulher e orientá-la a não internar em fase LATENTE do TP, é acompanhá-la em fase ativa para o local onde ocorrerá o parto e estar com ela lá o tempo todo. A doula não impede a violência obstétrica ali na hora, ela serve apenas de testemunha. Doula que interfere com a conduta médica nos hospitais, briga com a equipe, etc. queima o filme de todas as doulas. E é por isso que tem certos hospitais que não permitem mais a entrada de doulas. Nem com cadastro. Doula nenhuma entra mais.

Para evitar a violência obstétrica, não basta contratar uma Doula, não basta esperar o máximo possível em casa. Pelo contrário, existem lugares onde a violência é ainda maior contra mulheres que têm doula ou que chegam já em fase expulsiva do TP. Tem lugares onde chegar com o bebê já coroando ou já nascido acarreta um tratamento ainda mais violento e invasivo tanto para a mulher quanto para o bebê.

Uai mas se a doula não serve para ficar em casa até o expulsivo com a mulher, ela serve para que?

Ela serve para ajudar no planejamento, para indicar artigos, livros, filmes, para trazer informação ao casal e ajudá-lo a traçar seu caminho dentro das possibilidades que a cidade apresenta. No dia do parto ela serve para dar coragem, para dar auxílio, para passar tranquilidade.

“Ah mas o atendimento dentro dos hospitais é horroroso, os profissionais humanizados são muito caros, como ficam as mulheres nesse caso?” O fato do atendimento não ser ideal dentro dos hospitais e maternidades não justifica as mulheres e as doulas se colocarem em risco em partos desassistidos. Muitas mulheres que são consideradas inclusive gestantes de risco têm feito isso de esperar o máximo possível em casa, sem monitoramento algum. Isso é um risco desnecessário.

Não é fugindo para as colinas que as mulheres vão ver uma mudança no modelo de atendimento dentro dos hospitais. Pelo contrário! Para que o atendimento mude é necessário que as usuárias exijam mudanças, protocolem seus planos de parto no MP, levem consigo artigos científicos para as consultas de pré-natal, e sobretudo denunciem a violência que já ocorre lá dentro.

O parto desassistido não é a solução para o problema da violência obstétrica.

E me preocupa muito ver mulheres com formação de doula estimulando as mulheres a ficarem em casa sem assistência, e mais ainda fazendo procedimentos como toque vaginal e ausculta de BCF. É o tipo de atitude que justificaria, sim, uma proibição à atuação das doulas, pois é exercício ilegal de profissão. Doulas têm responsabilidade tbm, não dá para fazer qualquer coisa, nem estimular que os casais se coloquem e coloquem seus bebês em risco.”

por Adèle Valarini Doula- DF

Minha historia com Adam

Relato gentilmente cedido ao blog por Glaucia Pinna

“Resolvi postar o meu relato, não somente do parto, mas da minha breve história com o Adam ❤
Texto um pouco grande, me desculpem, mas não dava pra resumir uma história que já é breve. Gratidão!
.
.
“Entre namoro e casamento eu já estava com meu marido há 7 anos, decidimos então nos tornar pais, achando que era fácil assim, no próximo período fértil eu engravido. RÁ! A vida tem seu próprio tempo, você não escolhe nada… E foi assim, um mês, dois meses, três meses… Um ano… Resolvi ir atrás, não era possível demorar tanto… Fiz um endovaginal e pimba, como disse a médica “minha filha, você não ia engravidar nunca, seus ovários estão puro cisto”. Bom, o que eu tenho que fazer? Tratamento! E lá fui eu, tomei Diane 35 3 meses seguidos e metformina, pois nos exames hormonais eles estavam todos loucos. Ok! Passaram os 3 meses e lá fomos nós tentar novamente, um mês e nada, dois meses e nada… Estressei e disse que ia desistir daquilo, chega, cansei, ia gastar todo meu dinheiro, viajar e pronto!
Desisti de engravidar e minha menstruação não vinha… Sentia cólicas, dores muito fortes, seios inchados e todo mundo dizia: Você está grávida… e eu: ah, ta! De tanto falarem na minha cabeça comprei um teste de farmácia e fiz no banheiro do meu trabalho, sem nenhuma fé do positivo, mas deu… meu positivo veio. No outro dia fiz o de sangue e POSITIVO! Meu Deus que alegria… Não entendia muito bem aquela explosão de sentimentos dentro de mim e na hora já sabia que era um menino que crescia dentro de mim…
Comecei imediatamente o pré natal, como trabalho em posto de saúde eu tinha GO alí todo santo dia e minha gestação foi correndo super bem, sou hipertensa e fui encaminhada ao ambulatório de alto risco do HB, mas com medicamentos a pressão estava controlada, mudei a alimentação, não ganhei peso, enfim, tudo ótimo!!!
Já estava de 22 semanas e ainda não tínhamos conseguido ver o sexo no ultrasson, mas coração de mãe não se engana, escolhemos o nome dele naquela semana, Adam, “homem da terra”, já sentia meu pequeno guerreiro mexer, não só na barriga, mexeu em nossas vidas, tudo mudou… Quanto amor, o mundo tinha mudado de cor.
Tinha consulta no alto risco, cheguei toda feliz achando que ia ser mil maravilhas… Esperei mais de 4 horas sentada em um banco de concreto, fui atendida e a médica só anotou meus exames no computador, ouviu o coração do bebê e pronto, me mandou embora. Fui de ônibus trabalhar e como tinha ficado o período da manhã fora, trabalhei até as 19hr.
Comecei sentir o bebê mexer muito embaixo, comentei com meu marido, até aí tudo normal. No trabalho sentia ele mexer na vagina, uma coisa muito estranha, comentava com as meninas e ninguém sentia isso… começou sair uma meleca que parecia clara de ovo, achei que não fosse nada grave, tinha acabado de sair da consulta e a médica disse que tava tudo bem e tem mulheres que tem corrimento, secreção e tal.. Em casa nesse dia o bebe mexeu DEMAIS eu nem conseguia levantar do sofá, doía as costas… No outro dia a meleca persistiu, no final da tarde já na hora de ir embora essa meleca saiu mais espessa parecia gelatina incolor e junto saiu sangue, aí preocupei e a minha chefa me levou na emergência do hospital da criança.
Fiquei aguardando chamar e novamente demorou, cerca de 2 horas… Quando entrei na sala, muitas perguntas e o tal exame do “toque”. A moça saiu da sala e chamou outra, também fez o toque, chamaram outra e também fez… Já achei estranho… saíram todas da sala e voltaram com a chefe… Ela fez o toque e falou: Glaucia, pode sentar. O que você tem é GRAVÍSSIMO, você perdeu o tampão e está com 100% de dilatação, vamos te internar pra você “PERDER O BEBÊ”, sim, ela usou exatamente essas palavras. Nisso parece que o chão se abriu aos meus pés, fiquei por uns 5 segundos sem reação, olhei pro meu marido e disse: Nós não vamos “perder” nosso bebê. Na hora já me encaminharam para a enfermaria, pois não havia quarto disponível. Fiquei deitadinha lá, imóvel, tentando entender como de um dia para o outro eu PERDERIA meu filho, chorei… O choro da alma, do maior desespero que já tive na vida… Meu marido perdido, desorientado, mas eu sabia da minha força, se fosse possível ficaria ali por 60 dias imóvel, só não sabia se a bolsa agüentaria.

Foram passando os dias, os médicos não acreditavam que eu agüentaria, todos os dias perguntavam: está com dor? Perdendo líquido, sangue? E sempre a resposta era não, ta tudo ótimo. Foram 9 dias deitada na cama, comia deitada, me trocava deitada, TUDO deitada. Até que cedinho comecei sentir dores no pé da barriga, chamei a enfermeira, me deram buscopam e não cortou… A dor foi aumentando, aumentando… Buscopam não fazia nem cócegas… A noite eu estava com muita dor… Me colocaram no Bricanyl para ver se segurava, consegui dormir por algumas horas, amanheceu o dia e dor, dor, dor, mesmo com o Bricanyl, buscopam, nada passava, achei que estava com alguma infecção, era muita dor, acho que nesse momento fui parar na tal “partolandia” que as meninas dizem, estavam ali somente eu, minha barriga, meu bebê e a dor, parecia que o tempo passava em outro ritmo, o som estava em outro tom… Fui ao banheiro e escorreu água nas minhas coxas, gritei, a bolsaaaaaaaaa!!!!! Me levaram pro ultrasson e a frase do médico cortou meu coração. Não tem mais nada de líquido aqui. MEU DEUS!!!! Vai nascer. O desespero tomou conta de mim e agora a preocupação era outra, salvar meu filho. Pedi para que me levassem a sala de parto e uma das residentes disse: Vamos aguardar aqui no quarto mesmo… Eu falei: E SE NASCER???? Ela: A gente chama alguém… OOOOOIIIIIIII?????? COMO ASSIM MINHA FILHA???????
A dor foi ficando insuportável e eu sentia que ele ia nascer, dei um grito e só assim decidiram me levar para a sala de parto, foi tudo tão corrido que desci de cadeira de rodas, me retorcia de dor, eu estava segurando pro bebê não sair. Chegando na sala não deu tempo nem de me arrumarem direito, falei pro médico: Posso fazer força? PODE! Então eu fiz, mas não sabia como fazer e ele disse: faz força compriiiiiiiida. E eu fiz, e denovo: força comprida!!!! Quando fiz pela terceira vez meu bebê nasceu, nisso a enfermeira saiu correndo com ele embrulhado, tão pequeno… Nasceu com 620 gr com parada cardíaca e respiratória, reanimaram e ele VIVEU!
O restante do parto como tirar a placenta, fazer aquela limpeza que eles fazem eu nem liguei, só queria meu filho vivo. Esperei cerca de 2 horas e fui para o quarto, tomei banho sozinha e logo desci na UTI NEO para ver meu pequeno. MEU DEUS que coisa mais linda do mundo, pelo peso achava que não estaria todo formadinho, mas estava, era um bebe miniatura, lindo, perfeito, esperto. Foi o maior amor que eu poderia sentir na minha vida, não poderia nunca imaginar o tamanho desse sentimento. Falava com ele e os batimentos aumentavam, esticava as pernas e balançava as mãozinhas. Sabia de toda a sua fragilidade, mas estava confiante. Dizia “agüenta aí meu príncipe, você é o guerreiro da mamãe.”
No outro dia fomos conversar com a pediatra, ela disse que ele estava com pneumonia, era prematuro extremo e isso é comum, já estava sendo tratado com antibióticos e respondendo bem. Nesse dia tirei leite e passaram na boquinha dele, ele lambia os lábios, colocava a lingüinha pra fora, adorou meu leitinho, aquela boquinha era a coisa mais linda desse mundo. No outro dia no novo boletim médico disse que ele estava muito bem, que era um bebê muito forte, sadio, tinha aceitado bem o leite, estava tomando 1ml de 3 em 3 horas na sonda. Meu Deus, 1 ml, vocês imaginam o tamanho do estomago do meu bebê, muito petitico.
Fomo embora para casa confiantes naquele dia, afinal a pediatra disse que ele está respondendo bem ao tratamento, tomando meu leite, o que mais eu poderia querer meu Deus… Antes de dormir chorei, chorei muito, não acreditava que havia uma esperança, meu bebê estava vivo, eu era mãe!!!! O amor maior do mundo, um amor que dói.
Mas na madrugada do terceiro dia o telefone tocou, chamando os pais do Adam ao hospital. Na hora me tremia toda, já fui chorando, segurando ao máximo e tentando me enganar que teria acontecido algum problema mas que ele estaria vivo. Chegando lá quando abri a porta da UTI neo, a luz da incubadora desligada, 3 segundos de inércia, não!!!! Não pode ser, então caí… Desabei… Parece que o mundo para e abre um abismo aos seus pés… Meu bebê se foi, ele se foi!!!
Nisso a pediatra veio me confortar e me explicar como foi. A infecção do pulmão foi para o sangue e o coraçãozinho dele não agüentou, foi diminuindo os batimentos até parar.
Quanta dor… Nunca imaginei perder um filho, mas só pensava na dor dele, quantas picadas, quantos procedimentos, cateter, tubo… Tadinho, nenhuma mãe quer isso para seu filho. Peguei-o no colo, ainda quentinho, e pude sentir sua pele, disse o quanto o amava, o quanto ele era importante nas nossas vidas, pedi perdão pelo tamanho de seu sofrimento, nenhuma mãe quer ver seu filho sentir dor, ali ninei ele por cerca de 30 minutos… tive que correr atras de coisas burocráticas, velório, enterro.
Os dias passaram, a dor não diminui, a saudade só aumenta, mas o que me conforta é saber que hoje ele não sente mais dor, eu estou sofrendo muito, mas ele não.
Foram os três dias mais lindos da minha vida, ver seu rostinho, suas mãozinhas, os pezinhos mais lindos desse mundo. O Adam se foi, mas nasceu em mim uma mãe, guerreira, mais amável, mais persistente, mais forte, mais determinada… Só tenho a agradecer tudo que aprendi, uma lição de vida no modo Hard. Tanto sobre dor, quanto sobre amor.
Descobri também 2 palavras: incomensurável, que é o que eu sinto por ele e resiliência que é como vai ser de agora para a frente.
.
Com tudo isso descobri o que tenho IIC: Incompetência Istmo Cervical, uma “deficiência” nas fibras elásticas do útero, conforme o bebê ganha peso, o colo do útero não suporta e abre, sem dor alguma ou sinais de dilatação, causando assim o parto prematuro extremo como foi o meu com 25 semanas.””

Relato gentilmente cedido ao blog por Glaucia Pinna

Nascimento de Miguel

“Vou desabafar a minha experiência,pra ver se passa um pouco do medo e da dor!

No dia 29/01 fui fazer uma ultrassom, nesse dia eu acordei com um sentimento estranho, parece que eu sentia que algo estava errado! Fiz a ultra e eu estava quase sem líquido
, o médico ligou pra minha GO e ela me pediu pra ir no consultório, pra fazer uma cardiotocografia, estava tudo bem com o Miguel, mas tive que ir me internar pra aumentar o líquido, e no hospital passei por vários exames incluindo o de ácido úrico e proteinúria 24 horas, na sexta meu líquido tava subindo e no sábado eu ia poder ir pra casa, mas era umas 22:30 comecei a me sentir mal com uma falta de ar, dor de estômago, uma dor no peito e dor de cabeça, a enfermeira veio me ver e chamou a equipe da cardiologia pra fazer um eletrocardiograma por causa da dor no peito, eles viram a minha pressão também e avisaram que iam ligar pra minha GO, quando ela chegou me disse que eu ia subir pra UTI, pra passar a noite pra controlar a minha pressão!
Fiquei muito assustada e senti um medo enorme de algo acontecer com nós dois!

No sábado 31/01 voltei pro quarto e ai veio outro susto, meus exames deram alterados,meus rins estava parando e isso era sinal de eclâmpsia e eu tinha que tirar o Miguel pra que eu pudesse melhorar, fiz a cesárea apavorada, ele nasceu bem com 2.040 kg e 44 cm,não precisou de UTI neo natal, nem de oxigênio! Ele saiu e minha pressão baixou e meus batimentos cardíacos melhoram!

Eu tava até conformada na segunda-feira, mas ai internaram no leito ao lado do meu uma gestante em trabalho de parto, e aquilo me doeu muito porque eu vi nela o meu sonho sendo realizado! Mas mesmo doendo em mim eu fiquei feliz muito pelo o parto dela fosse lindo e o bebê viesse ao mundo de um lindo PN!

11016363_971661752851603_1127257993_n
Hoje estamos bem,ainda estou tomando remédio pra controlar a minha pressão, passando por vários exames, o Miguel esta lindo saudável, mama super bem no peito desde o primeiro dia! Mas a dor de saber que eu falhei com o meu sonho de ter um Parto Normal ainda é grande e que sei que se eu engravidar de novo posso ter eclâmpsia novamente e isso me da medo!”

Depoimento gentilmente cedido por Carol Caselli

Eu escuto teus sinais ! Relato de nascimento de Enzo

“Vou tentar parir o meu relato de parto.

Se eu fosse dar um título para ele, seria : Eu escuto teus sinais !

Vou tentar me expressar da melhor forma, afinal foram 287 dias gestando, estudando, lendo, me informando, conhecendo gente, me apaixonando por mulheres e lutando por um parto respeitoso.

Conheci médicos, parteiras, enfermeiras, gestantes… Participei de grupos presenciais e virtuais que visavam ajudar e conscientizar as mulheres sobre maternidade. Todos esses meios e pessoas ensinaram alguma lição, e juro aprendi com todas elas.

Esperei durante meses para ter o prazer de sentir na pele o dia mais importante da minha vida.

Cada espaço do meu corpo…
Cada lugar da minha mente…
Cada canto da minha casa…
Cada espaço do meu coração… Foi totalmente tomado e preparado para parir.

Conheci o Commadre, através da indicação da querida Aline Tidori , fui em reuniões e montei a minha equipe com profissionais que conheci lá… Não é exagero se eu disser que no commadre encontrei um colo coletivo ! E um emponderamento consciente e carinhoso.

Durante toda a gravidez, diferente de 95% das mães, tive um bebê sentado na minha barriga …Meu Enzo PELVICO !

No começo meu objetivo era um Parto Domiciliar, mas os planos mudaram quando descobrimos que teríamos que mudar de casa bem na época que o pequeno poderia nascer. E não da pra ter PD no meio de reforma e bagunça. Daí então deu início a minha corrida para achar um hospital com sala de parto e que aceitasse o meu convênio ! Achei o SEPACO, e pela insistência, fui a primeira gestante a conhecer a sala de parto… Bem próximo da minha dpp, a tal sala de “fechou”. Fui entrevistada pelo blog maternar e falei a respeito da minha frustração. Um tempo depois, eu que sou insistente demais, liguei e consegui um retorno do hospital… falando que a sala tinha “reaberto”. Estava tudo certo, ganharia o meu Enzo naquela sala e naquele hospital !

Fiz acupuntura, moxabustão, exercícios de Naoli, compressa do quente e frio, luz e música, longas conversas em baixo do chuveiro, sentada numa banqueta e pesando 81 kg… Pedindo para ele virar… Fazendo massagens na barriga… Mostrando para ele a direção… E quantas manhãs não fiz daimoku com o objetivo de que o melhor acontecesse para nós …

Marido engravidou junto comigo, mas não podia sentir e nem entender certos sentimentos que eu tinha. E eu sabia desde o primeiro dia, e das primeiras ultras, que meu pequeno seria pélvico, acreditem ou não… Eu tive sonhos, e sinais… E sabia que apesar das tentativas, nosso pélvico não queria -ou não podia- virar. A partir daí longas leituras de madrugada sobre os pélvicos, todos os vídeos de parto mais lindos -de pelvico- e até mesmo o aluguel de EPI-NO.

Tinha espaço?! Sim.
Tinha muito líquido ?! Sim.
Ele era um bebê macro?! Não!
Mas ele não virava… E eu precisava entender isso. Aceitei ! Ele PELVICO e NATURAL !

Minha gravidez foi embalada por uma música do Alceu Valença… O refrão dela diz: “Eu já escuto teus sinais”…
Prometi escutar os sinais e respeita-los, mesmo quando foge do esperado.

Chegaram às 38 semanas, uma insana semana, com mudança de casa e organização das coisas com um barrigão enorme e com aquele cansaço físico, mas com uma vontade de louca de organizar tudo para receber o meu pequeno ! Caixa atrás de caixa, sacos e sacos de mudança… Uma semana “punk”. Trabalhando e arrumando bagunças.

No trabalho comecei a sentir contrações fortes. Que me faziam parar o que estava fazendo. A Natalia, minha prima, ria e se desesperava, queria ligar pro Márcio e eu não deixei, liguei para obstetra e disse que as contrações estavam fortes mesmo, como a própria obstetra constatou após um gemido meu… Liguei pro Márcio, que foi me buscar, já chorando claro… Emocionado !

Eu não podia chorar. Fiquei tentando ser forte e pensando “ainda pode demorar muito”, fui pro chuveiro, tentei dormir… Mas as dores aumentavam, ficavam mais intensas e menos espaçadas. Liguei pra parteira, ela mandou a back up para me examinar. E até a querida back up, achou que era TP ! Estava lá, contrações de 5 em 5 minutos e 1 dedo de dilatação ! Eu tava com dor, mas estava feliz ! Queria que demorasse mais um pouco, mas estava pronta !

Foram 3 dias em prodromos, mas não entrei em trabalho de parto…

Eis que chego na 40 semana, e sempre acreditei que não passaria disso. A data se aproxima e eu não sinto medo, nem dúvida, só alegria. Mas aí vem um ultra e me diz que meu Enzo não está mais pélvico completo… E sim pelvico incompleto. Ao invés do bumbum se apresentar primeiro, o pezinho se apresenta primeiro. Mas tudo bem, dá tempo dele ficar numa posição mais favorável durante o trabalho de parto. Vamos esperar ! Pensei…

E dá-lhe acupuntura, sexo, comida picante, dança e caminhada para acelerar o TP.

*Pausa: Desde o começo, nós e a equipe, conversamos sobre os riscos de um PELVICO. E sobre limites e segurança. Nosso objetivo era não deixar que se tornasse uma emergência e um sofrimento desnecessário. O combinado era acompanharmos a evolução do TP

Chegando próximo das 41 semanas, precisei fazer cardiotoco de rotina… Todo mundo sabe que esses exames demoram para conseguir marcar, lá vai eu para o hospital … Pronto socorro é aquela precariedade de atendimento, seja ele público ou particular. Sempre vai ter o cesarista plantonista e as enfermeiras folgadas. Me questionaram do pq eu ainda estava grávida com 40 semanas (?), e me questionaram do porque “esperar” se o bebê estava pelvico. E daí foi… Bullying atrás de bullying. Cardiotoco perfeito.. Liberados após 4 HORAS de discussão e espera!

Outro dia, pressão familiar em níveis alarmantes. Gente chorando, brigando, discutindo… Pra que esperar se ele não está numa posição boa e se já “passou do tempo”?! Escutei isso tantas vezes, que enjoei de responder ! Eu queria esperar o tempo dele, e seguir os sinais dele. Era isso que havíamos combinado !

Mais uma consulta de rotina, e o medo de não entrar em TP ! E lá estava o mesmo dedinho de dilatação, mas com um porém… Dava pra sentir um pezinho do pequeno! Conversamos muito, não dava para induzir. E decidimos esperar mais um pouco…

Chego nas 41 semanas… Contrações sem ritmo, com intervalos longos, muito chuveiro, muita caminhada, muita conversa com ele, muito carinho na barriga… E muita dor ! Sentei e fiz Daimoku… Lembrei que respeitaria os sinais dele. E não foram poucos os sinais… Ele me dizia o tempo todo que não podia virar… E quando aceitei ele PELVICO e natural, ele me surpreendeu, colocando o seu pezinho na frente e chegando na 41 semanas, sem entrar em TP ! Como já havíamos combinado em muitas outras consultas, não deixaríamos que virasse uma urgência e nem um sofrimento. Além da posição não favorável, tive outros motivos pessoais e algumas peculiaridades que me levaram a conversar com a equipe e ser orientada.

Ir para o hospital e aceitar a cesárea, foi a decisão mais difícil da minha vida. Eu me olhava no espelho e chorava… Meu coração me dizia que era o melhor, mas, eu tinha medo. Medo do hospital, medo da cirurgia ! Chegando lá, eu não me contive. Me ver ali naquele espaço, era quase um retrocesso. Mas, eu mesma havia estabelecido limites de segurança… Que podem sem variáveis de acordo com cada pessoa, mas que era o limite para mim !

Eu esperei até onde eu achava que era seguro esperar, fiz de um tudo para ter um parto natural e humanizado. Mas a cesárea existe para me atender ! Afinal… Eu faço parte dos 5% de indicações…

Quando entrei no quarto onde eu ficaria, nem conseguia mais falar… Estava com tanto medo que eu só tremia. Enquanto o anestesista do hospital, lia o meu plano de parto (sim, aquele lá que vocês deram risada), se comprometendo em seguir com o planejado, vinha uma nova contração… E eu sabia que ele estava preparado para nascer.

*Pausa, nesse momento uma outra gestante que também aguardava anestesia me disse “nossa, porque ele explicou o princípio ativo para você ?! Para mim ele não disse nada. Então ali plantei a sementinha da informação compartilhada… Falei sobre o que era Plano de Parto e ela me disse “que legal, na minha próxima gravidez vou fazer um” ! *

Minha equipe chegou…
Eu ainda não conhecia o Jairo pessoalmente (neonatologista que eu escolhi), mas assim que ele chegou, foi tão acolhedor, deu a mão pra mim e disse “Oi Daiane, e esse neném ai?! Vamos fazer ele nascer natural ?! Hahaha.”

E foi o único momento em que eu consegui dar risada. Ele apertou minha mão e disse “Fica calma, você fez de tudo “.

E não soltou mais a minha mão. Sempre carinhoso e atencioso…

A obstetra chegou também, Camila… Minha querida, ganhei mais carinho e mais atenção. Me passou segurança ! Me disse “vai dar tudo certo”. Afinal, estávamos falando de uma cirurgia. Lógico que eu sentia medo ! Me fez tanto carinho… Sorriu pra mim ! E então me senti melhor…

*Nesse momento, eu olhei para as outras mulheres que aguardavam anestesia e senti uma certa culpa… Elas estavam no mesmo barco que eu ! Todas faríamos uma cirurgia, mas, não vi ninguém indo falar com elas, acalma-las… Os plantonistas só passavam para conferir quem era quem… Me cortou o coração… Um momento como esse, mesmo sendo altamente tecnologico, poderia ser mais humano se a equipe do hospital tivesse mais tato…*

O resto é história conhecida… Centro cirúrgico, um monte de aparelhos, aquele cenário hospitalar do qual eu tanto temia e temo. Eu tinha equipe, isso me facilitou um tanto… recebi carinho o tempo todo. Mas aquilo ali não era fácil… Toda cirurgia acaba sendo um tanto quanto violenta… Sentir algo cortando seu corpo, mesmo que não sinta dor, é estranho.

Os cortes terminaram, a Camila tirou meu Enzo de dentro e eu pensava “meu filho, me perdoa se eu tiver tomado a decisao errada”. De repente, ouço a equipe chamar o Márcio para ver, e o Jairo me preparar para pegar o meu pequeno. De repente, me vem meu filho… Cheio de vernix, sangue e líquido amniótico… A via de nascimento foi outra, mas pude ver meu filho, feito minha cria do jeito que eu sonhava. Ele com o cordão ainda conectado a mim. Veio pro meu colo, chorou, mas um choro mais calmo… O Jairo colocou ele no meu peito, mamou na primeira hora e só saiu do meu colo para ir pro colo do pai.

Notas de APGAR : 9 e 10.
Não teve colírio- nitrato de prata.
Não manobraram meu filho de maneira brusca.
Não cortaram o cordão antes de parar de pulsar.
Não deram banho no meu filho, apenas após 24 horas de vida e dentro do quarto, com auxílio do pai.
Não teve aspiração das vias nasais.
Não passou pelo berçário, ficou o tempo todo comigo e com o pai. Mesmo na recuperação anestésica, pude ficar com meu bebê !

11025139_803802903041414_49233110350308375_n 10440285_803802869708084_5193930901025328904_n 1507057_803802886374749_50410216715586279_n

Isso não seria possível se não fosse a minha equipe, atendimento humanizado é isso. Possibilitar as mulheres que mesmo através da cesariana, tenham contato pele a pele e seus outros direitos respeitados !

Meu objetivo não é idealizar o parto cesáreo. De qualquer maneira, trata-se de uma cirurgia de médio porte. E cuidar de um RN, sendo primigesta, longe da família, sem saber amamentar direito… Estando recém operada não é fácil ! E nisso não tem equipe humanizada que consiga interferir… Os antibióticos e analgésicos baixam a pressão, usar o banheiro é difícil e se olhar no espelho após alguns dias é assustador. Dar risada, tossir, abaixar, deitar, sentar ou levantar é tarefa para mulher muito corajosa.

Muita gente acha que a cesariana não dói, mas dói sim. Passei por ela devido à necessidade, pois embora comum, ainda estamos falando de um procedimento cirúrgico. Bato nesta tecla, pois não deve ser banalizada do jeito que está !

Minha luta sempre foi para que a mulher tenha informação e para que o nascimento retome sua essência e seu protagonismo . Que a cada dia as mulheres sejam informadas e as cesarianas ocorram apenas quando bem indicadas.

Por mais equipes humanizadas em todos os campos.

Agradeço a equipe Commadre por me respeitar e me informar !

Agradeço as dicas, conselhos e consultas da querida Thais, que me acolhe e é de longe, uma mulher honesta, firme e apaixonante.

Agradeço as acupunturas e terapias de casal, da querida Ana. Nunca quis fazer acupuntura, depois que te conheci, da vontade de fazer toda semana. Um ser de luz, literalmente.

Agradeço a Camila por ser uma obstetra de verdade. Trabalhar com ética, amor e respeito. Respeitando os limites, e o protagonismo da mulher, informando e sendo tão doce e querida !

Agradeço ao Jairo, por respeitar meu filho e tratá-lo com carinho ! E por responder todas as nossas mensagens -quase diárias- de pais de primeira viagem. Acertei no pediatra !

Agradeço ao Commadre pelo excelente trabalho social. Que envolve amor, carinho e respeito. Se toda a mulher pudesse buscar um refúgio, sendo mãe ou não, aposto que o Commadre seria um bom espaço acolhedor !

Agradeço as minhas amigas, Tatiane,Simone e Natalia, por entrarem no mundo da gestação junto comigo. Mesmo sem ser mãe, mesmo sem muito interesse, mergulharam de cabeça e agora são expert no assunto ! Obrigada por me amarem e amarem meu filho ! Eu também amo vocês !

Obrigada a Lucia (mãe da Stéphanie e da Isa ), por me visitar todos os dias pela manhã (horário que ninguém vai) na maternidade, me ajudando e me oferecendo socorro, agora que estou em casa. Se não fosse ela, eu não teria amamentado direito na maternidade. Obrigada !

Obrigada a minha mãe, por ser minha força… Meu refúgio. Por chorar junto comigo. Por me ajudar a preparar minha casa para receber nosso Enzo, e por respeitar a minha vida e os meus espaços. Amo você ! Agora é avó … Espero que meu filho procure sua casa sempre, como eu procuro , para se reestruturar e equilibrar !

Obrigada a minha família toda, por serem tão amáveis e tão bons, em especial ao meus tios Guga e Flavia por também nos ajudar a deixar a casa pronta ! E emprestar o filho de vocês para me ajudar sempre que preciso, né Wallace?! Obrigada !

Obrigada a família do Márcio, meus cunhados que são super coruja com o pequeno, em especial a Juh e a Yuri (que me ajudam muito, e me presentearam com o melhor presente para uma puérpera: uma almofada de amamentação. Obrigada a minha sogra, que é super avó e está me ajudando e me deixando ser protagonista da vida do meu filho ! Gratidão ! Meu sogro, pelos banhos que tem dado no meu bebê, e todo o apoio !

Obrigada Patricia Gouveia Barreto, por espalhar a semente que chegou até a Aline, e depois até mim ! Graças a você, conheci o Commadre e montei a equipe ideal.

Obrigada Denise, por se voluntariar para ser minha doula. Gratidão pelas mensagens trocadas no whatsapp. Na próxima, já sei quem vai ser minha doula !

Obrigada ao Grupo Gaia, do qual a querida Talita, me apresentou e incluiu. O grupo mais acolhedor e informativo do facebook. Conselhos impagáveis os que eu adquiri no Gaia. Gratidão ! E obrigada a todos os grupos e páginas voltadas à informação verdadeira e de qualidade!

Obrigada a todos os amigos facebookianos, e da vida. Que embora não mencionados aqui, sabem que fazem parte a cada curtida, comentário, inbox ou visita ! Não da para mencionar um por um, mas agradeço a todos de maneira geral. Gratidão !

Agradeço a Mara, que me deu aula de yoga e me ensinou a me conectar em silêncio com meu pequeno e a relaxar. Obrigada querida !

Agradeço também a todos que foram nos visitar na maternidade, em especial uma visita que me emocionou muito da querida Ana e querido Daniel Que me acolheram no projeto guri e na orquestra ! Professor, homem, amigo e exemplo de cidadão ativo. Obrigada por me visitarem, não pude conter a emoção ao ver vocês entrarem naquele quarto. Não esperava receber ainda hoje, tanto carinho de pessoas tão importantes e maravilhosas. O Arthur tem pais maravilhosos e não tenho dúvidas que será um homem maravilhoso também ! Gratidão !

Obrigada a todas as amigas gestantes e mães que também foram importantes nessa jornada, as que aprenderam algo comigo e as que me ensinaram algo também. Que continuemos compartilhando conhecimento e informação… Força no puerpério e feliz lua de leite para vocês (Danielle, Nathalia, Katia,Bruna ,Mariina Miranda, Gabriela)

Agradeço a Nivea, pelas trocas. Trocamos conhecimentos e reflexões, isso é algo impagável ! Obrigada pelas mensagens compridas e por me relatar sua experiência, ela serviu muito para mim. A Sayuri é afortunada…

E por último… Obrigada meu amor, Marcio … Esse do qual o puerpério as vezes afasta, mas que me compreende de todas as maneiras. Obrigada por esse filho e por essa vida. Não imaginava que seríamos tão parceiros assim… Estou na sua vida para te ajudar e te amar, e você está na minha para me amar e me recuperar… Sempre ! O melhor integrante da minha equipe é você. Estamos frágeis ainda, nos abalando com os palpites que vem de fora, mas fico feliz por quando estarmos a sós, nos desintoxicarmos do exterior e nos conectarmos. Você é o homem do qual eu cito sempre que questionada sobre o que é construção, estamos nos construindo e aprendendo a caminhar. O interessante é você nunca soltar minha mão… Eu te amo, amo nosso filho, amo nossa casa, amo nosso amor !

A militância pelo atendimento humanizado e maternidade consciente, continuará ! Sem calar nenhuma mulher e sem desvalorizar sua vida: Antes eu julgava, hoje eu compreendo !

Agora minha jornada segue no puerpério, amamentação exclusiva e sob livre demanda, criação com apego e sem dependência, cama compartilhada e Alimentação BLW.

11043069_803802923041412_919635409271198370_n 11038657_803802976374740_547860693545036912_n 11025801_803803006374737_699555980608728941_n 10616064_803802943041410_8634174545553972221_n 15890_803803033041401_5842988725212789544_n

No fim deste relato o que percebo é que a maior parte dos agradecimentos foram voltados para as mulheres. Este filho veio para me ensinar muitas coisas, entre elas, a preservar o sagrado feminino. Gratidão por tantas mulheres na minha vida …

É isso !
(PS: Demorei 9 dias para conseguir escrever, só pra vocês terem noção)”

Relato gentilmente cedido por Daiane Oliveira

Relato de parto de Madruxa Odara

Relato de parto de Madruxa Odara, realizado no HMIB de Brasíli, DF

“Meu filho nasceu com 42 semanas. Cheguei na casa de Parto com 7 cm de dilatação. Fiquei surpresa porque eu nem sabia que estava dilatada. Eu também não sabia que a Casa de Parto em São Sebastião não aceitava mulheres com mais de 41 semanas. Aí começou a complicar tudo… Fui para o hospital. Meu marido e eu lutamos para ter um parto normal. No HMIB tinha médico dizendo que era eles que decidiam… Lotado de cartazes no hospital que poderíamos comer, beber água e até escolher a posição do parto. Pura Mentira! No fim, o médico novato e as enfermeiras foram muito legais… Não deixei o médico fazer a episio e meu marido de olho, caso contrário eu sei que ele dava um soco no médico. Estava ciente de tudo… Mandei meu marido ficar de olho para só cortarem o cordão umbilical no momento certo.
Fiquei muito tempo com o meu filho nos braços e o pediatra lá com cara de pastel… Tomei aquela coisa do cão da ocitocina, o efeito foi de 30 minutos para entrar no expulsivo, mas na minha cabeça foi uns 15 minutos. Eu ficava no hospital rebolando. Comia escondido, bebia agua escondido.

Apesar de tudo, meu parto foi lindo. O médico disse que meu parto foi de cinema. Ele não deixou que a médica me cortasse. Ele esperou, mas mesmo assim eu fiz força e dilacerei um pouco, como medo deles não esperarem e me cortarem.. Meu parto foi uma luta, mas no fim deu tudo certo, o médico que apareceu foi o melhor possível para aquele momento. Meu marido viu elogiarem ele no corredor, dizendo: “Parabéns, parto humanizado”. Só que não foi um parto humanizado. Foi um parto sem episio! De qualquer forma, eu senti todos os benefícios do parto normal e da ocitocina…. O que eu senti quando pari? Não consigo definir…. Alegria demais!!!

Meu filho é Lindo! Ah, tava esquecendo de comentar, cheguei a 9 cm de dilatação sem sentir nada. Talvez eu não sentisse nada se não fosse a ocitocina. Como não posso ter tal certeza. Vou tirar essa dúvida no meu próximo parto.
Nasceu dia 29 de dezembro de 2013, às 14h45, Brasília. Sol em Capricórnio, Lua em escorpião, ascendente em Áries-Touro.”

Madruxa Odara

relato gentilmente cedido por Madruxa Odara

Parto domiciliar Bianca e Alice

Relato de parto domiciliar de Bianca Alves Marquetto, na cidade de Barretos, SP, Com Obstetriz Arielle Matos.

“Tenho 18 anos, mãe jovem de primeira viagem, taxada como louca por querer um parto normal. Desde que eu comecei a me afundar no mundo da humanização dos partos, comecei a entender mais dessa luta do “parir” em um pais onde os índices de cesáreas são gritantes, de cada 100 bebes que nascem, 84 são cesarianas. Poxa sera que alguém perguntou ao bebe se ele estava pronto para nascer? Decidi que não era isso que eu queria para mim e para minha filha, queria que fosse no momento dela, no tempo dela! Então comecei a me preparar para que isto fosse possível, eu devorava tudo que se relacionava a esse assunto, passava as tardes assistindo partos, me emocionando e mentalizando o meu, lia artigos, relatos, comecei a seguir paginas e paginas sobre o assunto, participar de inúmeros grupos no face e me relacionar cada vez mais de perto com este mundo,conversando com mulheres que entendiam da causa, e lutavam pelo mesmo fim. Aquela infinidade de imagens linda de mulheres empoderadas, divas enfrentando a dor, o choro, a lágrima, o suor, divando, fazendo possível o nascimento por meio natural de seus filhos. Nascer é divino! Mas parir, bom isso já é outro assunto!
bianca01

A verdade é que as mulheres perderam a fé nelas mesmas, elas não acreditam na força que tem, na garra e na capacidade que tem de parir, a verdade é uma só, a natureza sabe fazer seu trabalho, a gente só precisa se entregar a isso. Claro que não é nada fácil, e eu só fui entender isso quando foi na minha pele, cheguei a ficar ate confusa, tipo “ cade a calmaria que aquelas mulheres tinham naqueles vídeos?” Dói e dói demais. É preciso de muita conexão consigo mesma, e com seu bebe, a partolandia vem, e vem com vontade, ela não pede licença, quando se entra em trabalho de parto, quase sempre vai ser tarde para voltar atrás e nem compensa, quando já se venceu tudo que foi preciso para chegar ate ali, então vamos parir!
Durante minha gestação, troquei de GO com 33 para 34 semanas de gestação, simplesmente porque eu sabia que se continuasse por aquele caminho com certeza acabaria em uma sala de cirurgia fazendo uma cesárea, e não era mesmo isso que eu queria. E bom a melhor decisão que tomei foi essa, a minha nova medica era uma amor, uma japonesa calmaria em pessoa, toda vez era uma historia nova que rendia minhas consultas, ela vivia me contando relatos que ela acompanhou, era adepta de parto normal ainda e de domiciliar também, pode acreditar, ainda existe esses anjos!
Meu sonho era o parto domiciliar, com piscina inflável, doula, parteira, musica calma e muita fé! Todos surtaram, não entendiam essa possibilidade, tinha medo.Por um milagre divino eu já havia conseguido arrumar toda equipe para assistir meu parto, era só esperar. Porem foi preciso abrir mão, supostamente estava decidido que eu iria parir pelo SUS. Eu estava morrendo de medo, devido todas intervenções e violência obstétrica que já havia ouvido falar, ninguém entendia isso, só diziam que eu precisava ficar calma, no fim já nem sabia mais se todo o conteúdo que eu havia buscado estava sendo bom, porque eu estava com medo, com muito medo.

bianca02

Com 40 semanas e 7 dias o grande dia chegou, já não aguentava mais de tanta ansiedade, as 2:15 da madrugada do dia 1 de fevereiro meu tampão desceu, falei para meu namorado que não demoraria, provavelmente de domingo não ia passar. Ficamos acordado até as 4 horas pra assistir a luta do Anderson Silva, triste decisão, me arrependi muito por não ter ido descansar. A cinco da manhã as contrações começaram a vir de 30 em 30 min, como estava com muito sono, conseguia dormir entre uma contração e outra, as 7 horas da manhã se intensificou e começou a vir de 15 em 15, já não consegui dormir mais, levante e fui andar pela casa, quando eu vi que ia engrenar mesmo, comecei a arrumar as coisas, em meio ao choro arrumando o berço da minha princesa e colocando as ultimas coisas na mala. Fui para o chuveiro para ver se aliviava, as 8 hrs as contrações já estavam vindo de 5 em 5 minutos. Meu namorado começou a ficar receoso quando eu comecei a ajoelhar ao lado da cama a cada contração, quase chorando, queria que fôssemos ao hospital, eu não queria porque sabia que demoraria bastante tempo ainda, foi quando eu acabei vomitando devido a intensidade das contrações. Fiquei preocupada pois minha medica não havia me dito que isso podia acontecer, então eu aceitei ir para o hospital.
Um pouco antes eu havia mandado mensagem para minha parteira e também em um grupo de apoio a parto normal que eu faço parte, eu precisava de algum incentivo naquele momento, estava com medo de acabar fraquejando devido a dor. As meninas começaram a se mobilizar, me auxiliando e torcendo por mim, não consegui mais acompanhar o que acontecia, fomos para o hospital.
Chegando lá me colocaram em uma sala pré-parto sozinha, ninguém pode entrar comigo nem minha mãe, fui um terror, minha única distração era algumas pombinhas que eu conseguia ver pela janela, que mais tarde a enfermeira fechou, vez ou outra alguma enfermeira entrava mexia em papeis e saia, ninguém nem ao menos perguntava se estava tudo bem, minha vontade era sair correndo de la, e correr para o braço de alguém, e confesso que ate cheguei ir ate a porta varias vezes, mas sair de lá não resolveria em nada, isso só faria com que me maltratassem mais tarde. Aquilo parecia um filme de terror, tendo que lutar contra as dores, sozinha sem saber o que aconteceria mais tarde, queria desesperadamente meu chuveiro, aquela água quentinha, um abraço, e o auxilio de alguém.
Bom não sei ao certo quantas horas fiquei esperando ate que o medico chegasse, se eu já estivessem em fase ativa, bem provável que as enfermeiras que teria tido que fazer meu parto, já que o medico chegou apenas horas depois, duas ou três. As enfermeiras me mandaram vestir uma camisola e com a maior grosseria me mandaram deitar em uma maca de barriga pra cima que o medico faria o toque em mim, eu não conseguia ficar naquela posição porque doía demais, a enfermeira me segurou e mandou eu ficar com a perna dobrada e aberta. O medico fez o toque que doeu muito, muito mesmo, disse que minha dilatação estava só começando que eu podia voltar pra casa. Que alivio, aquela foi a melhor noticia que eu podia ter recebido.
Quando encontrei meu namorado novamente ele disse que a Arielle, minha parteira estava preocupada comigo, pediu pra que eu ligasse pra ela. Que alivio quando ouvi a voz dela, sério, eu só precisava de alguém que me apoiasse naquele momento, e ela havia me acompanhado, sabia das minha dificuldades. Acabou sendo decidido que ela viria ficar comigo, graças a Deus, não sei o que teria sido da gente sem ela ao nosso lado.
Era cerca de 11:30 ou 12:00 quando foi decidido que ela viria, ela deu uma hora e meia para estar na minha casa, pediu para que eu tentasse descansar. O que era meio impossível já que as contrações não davam mais trégua, uma atrás da outra, de 3 em 3 minutos, era como se mal acabasse uma, já vinha outra. Tentei seguir os conselhos da Arielle, deitei na minha cama, procurei relaxar e me entregar aquele momento, coloquei a playlist que havia preparado para rodar e liguei o climatizador bem na minha cara, parecia que era quase possível dormir, eu estava exausta, queria que aquilo acabasse ali, por momentos infindáveis pensei em desistir, cheguei a entrar no quarto da minha mãe chorando, dizendo que não aguentava mais, que queria ligar para minha medica, cheguei a pedir ate pela cesárea temida, e minha mãe “ você aguenta”.
A cada contração eu urrava, sério mesmo, gritava e gritava muito, pra valer, as vezes colocava o travesseiro na cara e minha vontade era atravessar ele. Eu esmurrava minha cama, minha vontade era de quebrar tudo. E eu agradeço muito por ter ficado sozinha naquele momento, talvez na companhia de alguém eu não teria conseguido me entregar daquela maneira, e as pessoas não entenderiam, talvez me amarrassem e me levasse para o hospital, minha mãe foi a única que acompanhou mesmo tudo de perto, e agradeço mais ainda pela força que ela teve, respeitando meu momento, vez ou outra ela entrava no meu quarto, meio perdida, perguntava se eu tava bem mesmo, se não queria ir para o hospital. Cara a única coisa que eu pensava era “Deus me livre daquele pesadelo, mil vezes sofrer sozinha aqui no aconchego da minha casa do que naquele lugar.” Teve uma hora que eu lembrei de uma gata que tive, quando ela ia parir, a pobrezinha ficava andando pela casa toda miando, um miado doido, eu mal podia imaginar o que ela estava passando, como no texto acima, é exatamente a mesma coisa, é simples a lógica, aceita que dói menos, somos mamíferos, somos animais, e ainda mais na hora de parir. E no final tudo que cruzar seu caminho naquele momento você vai se agarrar, me agarrei ate nas musicas, teve um momento quando consegui me concentrar em uma das musicas, porque no fim das contas se eu consegui ouvir uma ou duas foi muito, falava assim a letra: “Tem vez que as coisas pesam mais, do que a gente acha que pode aguentar, nessa hora fique firme pois tudo isso logo vai passar!” É isso eu precisava ser forte, eu precisava vencer a dor, eu precisava ir ate o final, então decidi ir para o banheiro novamente, até que a Arielle chegasse.
Bom foi ai que entrei mesmo na partolândia, perdi totalmente a noção de tempo, lembro que a Arielle chegou e foi como se eu tivesse visto um anjo na porta do meu banheiro, engraçado como eu nunca havia visto ela pessoalmente, mas era como se a conhecesse desde sempre, foi um conforto, um alivio, uma paz tão grande ter ela aqui, eu sabia que agora estava tudo bem, que com ela ali eu não desistiria, ela não deixaria eu desistir. Pedi pra ela fazer o toque em mim, eu precisava mais que tudo saber com quanto de dilatação eu estava. E pra sair daquele chuveiro, misericórdia, era um passo eu queria voltar, a dor era muito forte, eu mal conseguia andar, só queria ficar ali sentada, quieta, mas era preciso, precisava medir o batimento da Alice também, precisava saber se estava tudo bem, então foi, pouco a pouco, entre um intervalo e outro consegui chegar ao meu quarto. Foi quando a Arielle me deu a melhor noticia do mundo, eu já estava com 9 cm, na minha cabeça 4 cm era muito, quando ela falou 9 foi como se eu tivesse ouvido você ganhou na loteria, sério uma nova força me invadiu, ela disse que não dava uma hora e meia até que ela nascesse.
Voltamos para o chuveiro ai perdi a noção de vez de tempo, espaço e tudo o mais, a Arielle ali me confortando, de repente meu namorado chegou, e minha mãe andando pela casa, lembro de ver vez ou outra eles algum deles na porta, meu namorado tentou filmar e fotografar o que ele conseguiu, quando o mal estar não atrapalhava, eu entendo ate, quando assisti os vídeos, acho que teria ficado exatamente como ele, eu chorando e gritando, e ele sem poder fazer nada.
Minha bolsa rompeu, foi muito mágico, parecia uma bexiga caindo no chão, foi então que a Arielle me disse para eu avisa-la quando sentisse vontade de fazer coco. Não demorou muito, eu fiquei assustada, era como se eu estivesse com uma diarreia terrível. “Arielle to com vontade de fazer força” ela com toda calma do mundo “Então faz, faz o que o teu corpo pedir” foi quando minha mãe apareceu com meu vestido pedindo para irmos para santa casa, mas era impossível eu sair dali, eu mal consegui ir ate meu quarto, como conseguiria ir ate o carro e aguentar ate chegar ao hospital, eu só pensava no aconchego daquela água quentinha.
A Arielle estava comigo, me perguntou se eu queria ir, disse que não, ela tentou intervir por mim, e pediu pra que respeitassem minha vontade. Veio mais uma contração, mais vontade de fazer força, era muito loco, a vontade é incontrolável, totalmente involuntária, a Arielle me apoiando, disse que se minha vontade fosse ter ela ali, então ela estaria comigo, claro que todos ficaram aflitos, aquilo parecia loucura, não para mim e para a Arielle. Minha mãe ligou para ambulância e foi para o portão esperar, eu estava exausta queria deitar, sentar, sei la, estar confortável em algum lugar, a Arielle me disse então que em pé a gravidade ajudava, então borá la, vai ser em pé mesmo, lembro que minha sogra apareceu na porta quase chorando, e de repente um monte de gente entrou na minha casa, a ambulância chegou e nisto a cabeça já estava pontada, não havia mais como andar, se andasse todo o esforço seria em vão, o bebe voltaria para dentro, então foi ali mesmo, com uma perna dobrada apoiada sobre o banco, uma mão segurando no porta toalha e muita ocitocina.

Nasce as 14:50 minha princesa, a Arielle colocou ela nos meus braços e eu só conseguia chorar, estava meio sem forças nos braços, ela toda molinha cheia de sangue, escorregando, eu abracei ela e chorei, chorei e chorei, eu não acreditava no que havia acabado de acontecer, eu havia conseguido, a dor havia acabado, que gloria. A Arielle cortou o cordão e equipe levou a Alice para ser examinada na ambulância, minha casa esvaziou, foi todos atrás da neném e eu fiquei ali sozinha com a Arielle novamente, eu queria sei la, encher aquela anja de beijo, pedi um abraço, toda molhada e cheia de sangue e mesmo assim ela não me negou, a emoção não cabia em mim.
Sai andando pela casa com o cordão pendurado, a placenta começou a pesar dentro de mim, doía muito, me deitaram na maca e me levaram para a ambulância também, me neguei olhar para minha rua, com certeza deveria estar a rua toda assistindo. Na ambulância a enfermeira colocou a Alice encima de mim, meu Deus que emoção, ela bocejando, querendo dormir, acho que nem havia se dado conta que nasceu. Pedi para q a enfermeira tirasse minha placenta porque eu estava com muita dor, foi aquele alivio quando saiu, ai eu louca mesmo perguntei o que ela faria com a placenta, se jogaria fora, ai rindo alto lembrando tudo isso, eu naquele momento todo, em meio a todo aquele tumulto comecei a pedir uma folha porque queria fazer a impressão da placenta. A Alice foi no colo da enfermeira, eu ali vendo ela o tempo todo, chegamos ao hospital, levaram ela para tomar banho e eu fui tomar ponto. Eu pedindo a folha incessantemente, a enfermeira me arrumou e eu peguei aquele negocio cheio de sangue coloquei na folha e fiz meu namorado ficar andando c a folha ate secar, tadinho, as pessoas olhando para ele como se ele fosse estranho. Fiquei ali com a mão cheia de sangue, toda molhada, me deixaram tomar um banho antes de ir tomar ponto, que alivio, eu sentia um vazio grande por dentro, era como se meus órgãos todos houvessem decido, doía um pouco, dava falta de ar as vezes, e a enfermeira ficava me perguntando as coisas, eu mal conseguindo conversar. Quando o medico chegou, o mesmo que havia me examinado de manha, ele olhou para mim parecia bravo, com desde ele disse: “ É parabéns, você não precisa de medico!”, me examinou e disse que precisaria dar ponto , me levaram para sala de parto, e parecia que era pra me torturar, me deixaram ali um tempão com a perna aberta, ele andando pra la e pra cá, mexendo em papeis, eu perguntando se daria anestesia e ninguém me falava nada, e pra variar eu sozinha, querendo chorar. Doeu muito pra dar ponto, a anestesia foi um horror de doida, mas seria pior sem ela, com certeza, fiquei ali chorando as vezes murmurando pela dor, até que acabasse, não sabia nem que sentimento estava sentindo, se era de alivio por minha pequena não ter nascido ali, naquela sala, com aquele medico, se era de dor, ou por estar sozinha, mas no final é assim, a solidão é até produtiva.

parto alice

Bom tudo passou, eu consegui, venci o sistema, venci a dor, o medo, a solidão, e todo resto, minha princesa nasceu com 3.550kg e 50,5cm. Quando se passa por esta experiência não há como continuar sendo a mesma pessoa com a mesma cabeça, a dor faz a gente amadurecer anos em horas, e posso ate arriscar dizer que nos da uma injeção de força para tudo que vira, ser mãe não é fácil, gestar, parir e criar, nenhum destes processos é fácil, mas no final vale a pena, a cada sorriso, toque, sentir o cheiro, abraçar aquele serzinho, é como se não houvesse mais nada que importasse a não ser ver este pedacinho de gente bem. É isso nascer é divino, mas parir é mesmo animal! Em sua mais pura realidade, agora todos me perguntam se eu passaria por tudo isso novamente, bom daqui uns bons anos, posso dizer que sim, não consigo dizer que 100 vezes como algumas mulheres dizem, mas outra vez eu me arriscaria nessa incrível experiência, no final a partolandia é pura brisa, tanto hormônio correndo na veia, valeu a pena!

bianca03
Obrigada mais uma vez a Arielle e a talita e a cada uma de vocês do grupo Gaia, pelo apoio, pela torcida, informações, orações, energia positiva, vocês fizeram que meu sonho fosse possível, junta a vocês eu venci tudo isso!”

Relato gentilmente cedido por Bianca Alves Marquetto

Relato de parto Poliana e Gael

Relato de parto domiciliar Poliana e Gael, realizada em São José do Rio Preto, com parteiras Lucélia Caires e Amélie Lecorné e doula Nathalie Gingold:

“Demorei um pouco para conseguir organizar as ideias e relatar sobre o dia 14 de outubro de 2014. Hoje, três meses depois, consigo raciocinar e escrever melhor sobre o nosso dia, meu e do Gael.
A decisão de viver um parto domiciliar se deu no último trimestre da gestação. Mesmo com a sugestão de uma querida amiga (Camila Marcelino) no início da gravidez, ainda tinha dúvidas. Dúvidas que foram sanadas com o tempo, com pesquisas, com conversas com profissionais, com mulheres mães, com senhoras que tiveram seus filhos em casa e com as mães do grupo Gaia.
Ao ver vídeos e depoimentos de nascimentos de bebês no hospital (natural ou cesária) e em domicílio, percebi que a melhor forma de receber meu filho neste mundo, seria em casa, no nosso canto, sem pressa. Compreendi que mãe e filho, ao nascerem, só querem se abraçar, se acalmar e iniciar essa nova vida, juntos.
Dizem na medicina, que o primeiro minuto de vida é o minuto de ouro, e é mesmo! Nascer não é fácil! O bebê que até então estava fisicamente ligado à mãe, agora é livre, seguirá sozinho por seu próprio corpo. É um choque! Recebê-lo da forma mais carinhosa possível, amparando-o nesse momento tão sensível, para mim, era o melhor a fazer.
Ter tido uma gestação tranquila (considerada de baixo risco) e apoio do meu marido, também foram fundamentais para a minha decisão; para o meu empoderamento, se posso assim dizer. Não me senti poderosa, nem nenhum adjetivo que me vangloriasse. Senti apenas, que estava decidindo ouvir o meu corpo, meu bebê, meu instinto. E assim foi feito.
Encontrar profissionais que acompanhassem meu parto foi difícil. Conheci a Lucélia primeiro. Enfermeira obstetra, baiana porreta e querida amiga, terá para sempre um papel super especial na minha vida. A Amelie foi outro presente de Deus. Enfermeira obstetra, francesa meio brasileira, foi o check mate para que o parto domiciliar se tornasse realidade. Com a equipe profissional formada, segui para o próximo passo.
Combinei que o nascimento do Gael seria no meu pequeno apartamento. O trabalho de parto e a concepção em si, aconteceriam ali. Tentava imaginar como seria o grande dia. Imaginei ter amigas e parentes comigo, fotógrafos e doula, e por fim, achei que iria me incomodar com a presença de muitas pessoas ao meu redor e resolvi resumir a equipe nas enfermeiras, no meu marido e em mim. Acreditei que por estar muito exposta, num momento muito íntimo, não me sentiria a vontade. Grande engano! Primeiro porque não me incomodei um segundo se quer com a observação de ninguém. Sinceramente, esse tipo de preocupação não pertence a uma mulher que está tendo um filho. Comprei um top para não deixar meus seios à mostra, e só me lembrei dele muito tempo depois. Ri da minha ingenuidade. Segundo, porque de última hora tive uma doula, a Nath, que já conhecia e veio por chamado da Lucélia com minha autorização, e foi fundamental. Ainda bem que ela estava ali.
As contrações começaram por volta das oito horas da manhã. Tinha dormido super bem, levantei, fui ao banheiro como de costume e vi algo gelatinoso que deveria ser o tampão. Falei com meu bebê… chegou o nosso dia…dia tão esperado….vou te ver! Voltei para cama e esperei ter outra contração para chamar o Gui. Tive. Ele correu pegar o celular pra usar o aplicativo de contagem de contrações que há tempos tinha instalado. Estavam de cinco em cinco minutos.
No dia anterior tinha nascido a Laura, acompanhada pela mesma equipe que a minha e o parto tinha sido longo, foram 43 horas e acabou as três da matina. A Amelie, que é de fora, me ligou perguntando se eu sentia que meu parto seria logo, pois assim ficaria em Rio Preto por mais dias. Eu estava completando 40 semanas, mas estava tão bem, que disse que não. Achava que o Gael nasceria mais pra frente, com 41 semanas talvez. Ela foi embora e o Gael resolveu nascer. rsrs
Após verificarmos a frequência das contrações, resolvi avisar a Lu. Como ela tinha ido dormir tarde, escrevi pelo whatsapp: Lu, as contrações começaram…. descanse e quando acordar me ligue. Ilusão minha, ela já estava trabalhando. Me ligou para sentir como eu estava (eu estava ótima) e disse que provavelmente eu estava com uns 2 dedos de dilatação, que assim que acabasse a reunião na qual estava passaria na casa dela, pegaria todos os equipamentos e viria. Combinado.
Ao desligar o telefone mergulhei no meu trabalho de parto. As contrações que até então eram fraquinhas foram se intensificando rapidamente, uma a uma. Deitada na minha cama, me concentrei na minha dor. Estava muito segura, tranquila. Entrei na força daquele momento. Não vi nada e não vi o tempo passar. Só ouvia repetidas vezes a música Madre tierra Madre vida, como um mantra…. e cantava, sozinha no quarto .

O Gui estava tentando organizar a casa como tínhamos pensado. Colocar música, preparar câmera e abrir espaço para a piscininha, mas hoje lembro que ele estava como uma barata tonta, meio perdido sem saber o que fazer primeiro…. levava o dobro do tempo em cada coisa. rs
Resolvi tomar um banho. Sentia uma dor no quadril, muito forte. Como as contrações eram intensas, tentei ficar ajoelhada….não deu. Voltei pra cama. Lembro-me de ter ido ao banheiro fazer numero 2. E foi como uma dor de barriga. Fiquei aliviada, porque não queria fazer cocô durante o parto, já que era uma possibilidade.
Tudo isso durou quatro horas, e para mim parece que tudo aconteceu em no máximo uma. Quando a Lucélia chegou já era meio dia e eu nem tinha percebido o tempo passar, estava em outra dimensão. Ela chegou e foi como um estalo. Acordei! E aí disse a ela….ou eu sou muito mole, ou o Gael já vai nascer…rs. As contrações ficaram ainda mais fortes, e nesse momento, com 4 horas de trabalho de parto, já estava nua, despida de qualquer vergonha, selvagem com a minha dor.
A Lu fez então o exame de toque e verificou 7 centímetros! Ligou para a Amelie no mesmo momento e recomendou que ela viesse logo, pois meu parto estava evoluindo muito rápido e talvez não desse tempo dela chegar. Com esta possibilidade a Lucélia perguntou se poderia chamar a Nath para ajudá-la. Claro que poderia! Pareceu que ela chegou em dez minutos, mas depois disse que chegou em casa por volta das 13:30. Após a chegada da Lu, comecei a me movimentar, até então só tinha levantado da cama para tomar banho. Não era fácil andar. Andava com ajuda. Me sentia aérea a tudo o que acontecia. Comecei a obedecer ao que diziam. Me pendurei na barra da porta. Os três me ajudaram. Isso foi muito bom, e aliviou um pouco a dor no quadril. De lá fui para o sofá, acho. E logo comecei a sentir vontade de fazer força. Como dizem, parece mesmo uma vontade de fazer cocô, mas diferente..rs A Lu percebendo, disse que era hora de ir para a piscina. Na piscina parece que o tempo parou. Já estava na fase do expulsivo, mas essas duas horas finais pareceram muito mais longas.
Não senti qualquer medo ou insegurança em nenhum momento. Acho que isso é empoderamento né? Mas não foi consciente, foi natural. Não pensei em ir para o hospital, porque sentia que estava tudo indo bem….e a cada segundo, estava mais próximo de então ver o meu bebê!
Nesse momento, dentro da piscina, consegui ouvir que tinha música no ambiente, uma seleção de músicas celtas que gostava. Vi as pessoas, o Gui, a Nath, a Lu! Até consegui me preocupar entre uma contração e outra que já devia ser tarde e ninguém tinha almoçado. Eu comia algumas coisas que me davam, lembro-me de chocolate…. e tinha tomado café da manhã também….mas não sentia fome….estava na FORÇA!
10937576_10202644255062661_1098999474_n

E então, o Gael foi querendo sair, podia sentir a cabecinha dele, mas ainda estava na bolsa, meio gelatinosa. Me levantei e então a bolsa estourou, acho que eu estava abraçada ao Gui. Saiu um jato de água, como uma bexiga com água que estoura ao cair no chão…. e então pude sentir seu cabelinho….muito cabeludo! Eram os minutos finais do parto. Era tanta força que eu fazia, que as vezes saía um pouquinho de cocô….as meninas me socorriam….por isso que digo que trabalho de doula exige uma doação gigante! Rs… não senti vergonha…não tinha cabeça pra isso…só repetia baixinho para dentro de mim…..vem filho! Vem filho! E ele vinha….
10885004_10202644254822655_15564775_n 10942047_10202644255222665_1235746867_o

Gemi e gritei com uma voz que vinha da alma! Não imaginava que gritaria… mas me dava força. E assim, as 15:56, o Gael veio ao mundo! A Lucélia o recebeu gentilmente, pois eu não teria conseguido segurá-lo ao nascer….e então me entregou meu bebezinho lindo, calminho, meu pequeno samurai. Não acreditava que a gente tinha conseguido! Repeti isso umas vinte vezes ao ver o Gael…rs Eu, que nunca tinha sofrido dor na vida… consegui lidar bem com o parto…as contrações não me abalaram….e agora estava ali, com o serzinho que mais esperava encontrar em toda minha vida! Sempre quis ser mãe….amo ser uma! Para mim, esta experiência foi um presente divino! Uma honra!

10935728_10202644255302667_1247066379_o 10939190_10202644255262666_1689456085_o 10942773_10202644252982609_207288680_n
Infelizmente o parto não acaba aqui rsrs….achava que a dor tinha ido embora com a chegada do Gael…ilusão. Fomos para uma cama preparada para mim na sala de casa. O Gael me olhava com olhos vidrados….me apaixonei! A Nath colocou ele para mamar no meu seio. O Gui cortou o cordão após parar de pulsar. E a Lu finalizava os procedimentos do parto. Não tive laceração do períneo, o que foi um alívio para mim, mas conforme a Lu, tive um pouco de hemorragia, acabei sangrando mais que o usual para um parto normal. Ela conteve o sangramento com massagens na minha barriga para contrair o útero e com as mamadas do Gael. Parou rápido, ainda bem. E a placenta saiu íntegra logo em seguida. Lembro-me de ficar mentalizando…. contraia útero, contraia….deve ter ajudado.
A amamentação foi necessária naquele momento, mas sinceramente, se eu pudesse adiar, adiaria. Doeu muito. Sempre tive muita sensibilidade nos seios…. e aquelas pegadas do Gael eram uma tortura. Sei que é triste escrever isso, mas a amamentação para mim, desde a primeira pegada até mais ou menos um mês de puerpério foi difícil… exigiu muito de mim….mas valeu a pena! Hoje, segue uma beleza!
Voltando ao parto… a Amelie chegou logo após o nascimento do Gael. Foi o máximo que conseguiu fazer, já que mora há quatro horas daqui. Foi muito bom vê-la. Ela e a Lu conversaram sobre a necessidade de se dar uns pontinhos ou não na pele lacerada…. e decidiram por fazer. A Amélie ajudou nesse momento, e ao todo foram quatro pontinhos (filhos da mãe)… dois na parte superior e dois na parte inferior da vagina. Doeu, mesmo com anestesia local.
Tudo finalizado divinamente… estava tranquila, feliz com o Gui e o Gael ali comigo. E as meninas me autorizaram tomar um banho. Queria muito, mas ao levantar senti fraqueza. Fui devagarzinho ao banheiro, mas ao entrar no box, só consegui dizer…acho que vou desmaiar…rs acordei segundos depois com as três me segurando, abanando….não tinha percebido o desmaio….voltei a mim conversando normal, como se nada tivesse acontecido. Tomei o banho e fui me deitar com a minha cria.
Nisso eu já tinha avisado minha mãe que caiu no choro em mistura de alívio e felicidade. Só repetia graças a Deus, graças a Deus!…e eu digo…Graças a Deus por fazer a natureza da mulher e do nascimento tão perfeitamente, e por colocar no meu caminho pessoas tão sensíveis e especiais.
E assim, ao final de oito horas de trabalho de parto, celebramos a chegada do Gael brindando com um pedacinho de placenta cada um! A priori pareceu uma ideia difícil de conceber, mas com um toque de shoiu, até que não ficou nada mal.. kkkk
Gratidão aos meus pais e irmãs que souberam aceitar minha decisão, ao Gui que me respeitou e me deu força sendo um verdadeiro parceiro de vida, às meninas Lu, Nath e Amelie pelo profissionalismo e carinho imenso comigo, ao grupo Gaia por me permitir conhecer pessoas que me fortaleceram, à Talita, Isa, Nayara e Mariana, que foram doulas também por estarem sempre tão dispostas a me ajudar! Gratidão à vida por este presente!”

10939142_10202644255182664_121163232_o